Monday, December 28, 2009


ILÉ IFÉ – AFROCUBA-RJ

Programação Cultural 2010 – Primeiro Semestre
Projeto “Ilé Ifé”. Afro Cuba no Beco do Rato

Atividades culturais Data de Execução Horário

Cuba. Eu sou a Rumba (Beco) domingo 10 e 24/1 12:00 a
Convidado Especial Grupo Afrocubano Lori

Entre Amigos (Beco)
Filme Cubano
“Buena Vista Social Club” sábado 16/1

Somos Latinos (Beco)
Festa cubana sábado 30/1 18 a
Banda Essência Latina

*Obs. Fevereiro sem eventos pela celebração do carnaval

Entre Amigos (Beco) sábado 6,20/3 16 á 24:00

Cuba. Eu sou a Rumba (Beco) domingo 7 e 21/3 12:00 a
Convidado Especial Grupo Afrocubano Lori

O Mundo Sagrado de Ifá sábado 13/3 12 a 7 pm
Convidado Especial. Babalawo cubano Rafael Zamora.

Somos Latinos (Beco) sábado 27/3 18 a 24
Festa Cubana
Banda Essência Latina

Entre Amigos (Beco) sábado 3,17,24/4 16 á 24:00

Cuba. Eu sou a Rumba (Beco) domingo 11 12:00 a

Cuba. Eu sou a Rumba (Beco) domingo 25/4 12:00 a
Convidado Especial Grupo Afrocubano Lori e Dr. Julio Morazén. Escritor - dramaturgo cubano e poeta afro antilhano Fernando Calderón.

Entre Amigos (Beco) sábado 1,8,15/5 16 á 24:00

Paella para mamai (Beco) domingo 9/5 13:00 a
Convidada especial. Chefe Gisele Jorge (reservas antecipadas)

Cuba. Eu sou a Rumba (Beco) domingo 16,30/5 12:00
Convidado Especial Grupo Afrocubano Lori

Somos Latinos (Beco) sábado 29/5 20 a
Festa cubana pelo aniversario do chefe
Convidada especial.
Banda Essência Latina

Entre Amigos (Beco) sábado 5,19/6 16 á 24:00

Cuba. Eu sou a Rumba (Beco) domingo 13,27/6 12:00 a
Convidado Especial Grupo Afrocubano Lori

Dia dos namorados no Beco sábado 12/6 12 a 21 pm
Festivais de coquetéis e pratos afrodisíacos
do Caribe.

Somos Latinos (Beco) sábado 26/6 20 a
Festa cubana
Banda Essência Latina


Para maiores informações E-mail. fernandoboris@ig.com.br ou marcio@becodorato.com.br

Saturday, December 26, 2009

O complexo



Vejam o que Danilo Gentili, comediante, escreveu sobre a piada de Robin Wilians sobre o RJ e sua escolha como cidade-sede das Olimpíadas de 2016:


"HA HE HI ROBIN WILLIANSUns anos atrás os Simpsons vieram pro Brasil. Homer foi sequestrado. Bart ficou excitado com a loira de shorts enfiado na bunda que apresentava um programa infantil na TV. O menino pobre que a Lisa ajudou não tinha o que comer mas estava muito feliz desfilando no Carnaval.
Esses dias Robin Willians falou o seguinte: - "Claro que o Rio ganhou de Chicago a sede das Olimpíadas. Chicago levou Michele e Oprah e o Rio levou 50 strippers e 500g de cocaína".
Eu ri!Advogados, autoridades e populares se revoltaram nos dois casos. Eles não se revoltam, não se mobilizam, não processam, não abrem inquéritos, não fazem passeatas quando o sequestro, a loira vagabunda apresentadora de programa infantil, a idiotice do carnaval, o tráfico de drogas e a prostituição acontecem na vida real bem debaixo dos nossos narizes. Eles se revoltam só quando usam isso pra fazer piada.
A piada realmente boa sempre ofende alguns e mata de rir outros por um motivo simples: A boa piada sempre fala de uma verdade.Num País onde aprendemos a mentir, enganar, roubar, tirar vantagem desde cedo, a verdade não diverte. Assusta. O cara engraçado pro brasileiro é sempre aquele que fala bordões manjados, dá cambalhotas no chão em altas trapalhadas, conta piadas velhas, imita o Silvio Santos e outras personalidades ou faz um trocadilho bobo mostrando ser um ignorante acerca dos assuntos. Esses bobos passivos nos deliciam porque nào incomodam ninguém! Um cara que faz um gracejo com uma verdade inconveniente pro brasileiro é como o alho pro vampiro. Merece ser execrado.
O brasileiro é uma gorda de 300 quilos que odeia ouvir que é gorda. Ela faz um regime pra parar de ouvir isso? Não! Regime e exercicio dá muito trabalho É mais fácil ir no shopping, comprar roupa de gente magra, vestir e depois acomodar a bunda na cadeira do McDonalds. O problema é que nem todo mundo é obrigado a engolir que aquela fabrica de manteiga é Barbie, só porque está com a roupa da Gisele Bundchen. Então é inevitável que mais hora menos hora alguém da multidão grite: "Volta pro circo!" ou "Minha nossa! É o StayPuff com o maiô da Dayane dos Santos?". Então a gorda chora. Se revolta. Faz manha. Ameaça. Processa. Porque, embora ela tentou se vestir como uma magra, no fundo a piada a fez lembrar que ela é mais gorda que a conta bancária do Bill Gates. A auto-estima dela tem a profundidade de um pires cheio de água.
Ao invés de dizer que Robin Willians tem dor de corno, prefeito do Rio, vai cuidar primeiro da sua dor de mulher de malandro. Sabe? Mulher de malandro sim, aquela que apanha, apanha, apanha mas engole os dentes e o choro porque acha que engana a vizinha dizendo: “Eu tenho o melhor marido do mundo”.
Advogados. Vocês já são alvos de piadas por outros motivos. Já que se incomodam com piadas evitem ser alvos de mais algumas delas não processando Robin Willians. Em vez de processo, envie pra ele uma carta de gratidão. Pense que ele estava num dos melhores programas de TV do mundo e só falou de puta e cocaína. Ele poderia ter falado por exemplo, que o turista que vier pra Olimpíadas se não for roubado pelo taxista, o será no calçadão. Poderia também ter dito que o governo e a polícia brasileira lucram com aquela cocaína do morro carioca que ele usou na piada. E se ele resolvesse falar algo como: “As crianças do Brasil não assistirão as Olimpíadas porque estarão ocupadas demais se prostituindo”? Ah... E se ele resolvesse lançar mais uma piada do tipo: “Brasileiro é tão estúpido que se preocupa com o que um comediante diz, mas não se preocupa no que o político em quem ele vota faz”?
Enfim... são muitas piadas que poderiam ter sido feitas. Quem é imbecil e se incomoda com piada, não seja injusto e agradeça ao Robin Willians porque ele só fez aquela.
E depois brasileiro insiste em fazer piada dizendo que o Português é que é burro."
Precisa dizer mais alguma coisa?

Tuesday, December 8, 2009

A grande ilusão


Uma mão bate uma conga.

Um mosaico de cores se desloca do céu para o centro do Universo (a Lapa), acompanhado do som da diversidade rítmica de diferentes timbres de tambores (som de macumba e batucada de samba ao mesmo tempo).

Uma espécie de “túnel do tempo”, em que aparecem fotos de artistas como Clara Nunes, Cartola, Candeia, Tom, Elis e Vinícius fazem “chover” diferentes instrumentos musicais, em pleno verão de 40 graus do Carnaval carioca.

É fevereiro. Até então, a pasmaceira carnavalesca - refletida na falta de criatividade dos sambas enredo e na apatia do funk carioca - tomava conta da cidade.

Seriam, enfim, os deuses da música, fazendo uma rebelião no céu, em protesto contra a falta de espaço?

Afinal, TODOS querem um lugar nessa Babilônia de desordem urbano-turística-musical-cultural, que é a alegria do Carnaval do Rio de Janeiro -, preparando a chegada de um Deus afro-brasileiro, que abençoa a magia da batucada.

Mas os ventos – assustadores - uivam forte, assustando os banhistas da praia de Ipanema.

Era Ele: o Deus ‘Camuba’. Negro, com seus mais de 500 metros de altura, caminhando por sobre os mares do Leblon, tocando o seu gigante surdo (BUM! BUM! BUM!), fazendo tremer toda a terra...

Estarrecidos, os banhistas e o povo carioca não sabiam como reagir...

Do outro lado, numa imensa Pick up (como numa cena jaspiniônica) surgia outro Deus afro-brasileiro-norte-americano, o ‘Batela’. Ao som do funk (TUM! CHA! CHA! TUM! TUM! CHA! TUM! TUM!), ele vinha como uma mosca, mas num poderoso som de batidão...

A grande batalha - ou confraternização - percussiva estava apenas começando...

O conflito entre a música eletrônica ‘batidão’ do Deus Batela e a raiz do samba africano de Camuba estarreceu o povo carioca. Atônito, não sabia para onde correr, nem muito menos em qual dos dois se apoiar...

E, quando parecia que todos iriam se afogar na areia ou no mar - com medo do poder do som percussivo/eletrônico desses dois deuses - o inesperado acontece: as duas batucadas se combinam, fazendo todo o povo, unido, tentar vencer o poder dos deuses, através de mais música, mais batucada...

Tratava-se de uma guerra santa, sem precedentes na música brasileira, com 50% da população batucando o mais tradicional samba e outros 50% batucando a "nova onda", o funk, em tamborins, zabumbas, violas, cavaquinhos, cuícas e demais tambores caídos do céu...

Alegria! A festa se ampliou de tal maneira, que os dois deuses literalmente morreram de cansaço, por não agüentar o pique do povo samba-funk - que realmente comandara uma festa anárquica, estarrecedora, num carnaval atípico na cidade...

Só que tudo não passara de um sonho; uma ressaca de um folião que acabara de acordar, numa quarta-feira de cinzas, em meio a mendigos da praia de Copacabana...

A cara ensopada de areia, o corpo suado em meio a fantasias decadentes e esqueletos de carros alegóricos... Depressão. Cerveja quente num copo de geléia Imbasa... Dor de cabeça e sol forte, impedindo-o de enxergar o horizonte, e voltar pra Niterói (cena de um cara dormindo na barca...).

Roteiro: Saulo Andrade

Thursday, November 26, 2009

Bohemia vai, bohemia vem... loiras quentes e geladas da seara australiana. Tudo podia acontecer...
Beijos mil!


Tuesday, November 17, 2009

"No llores por mí, argentina"


Sem futebol, argentinos apelam para a superstição: querem que Messi adote o mesmo penteado do ídolo Maradona, na Copa de 1986. Francamente, nossos hermanos contaram a melhor piada futebolística - que fecha com chave de ouro o ano de 2009!


Sunday, November 15, 2009


Estou fazendo a percurssa do projeto musical/caótico/instrumental/desorganizante "Café da Meia Noite". Próximo show no sábado. Compareça!

Friday, November 13, 2009

Transpetro busca inovação para setor naval



Saulo Andrade


NITERÓI (RJ) - As plataformas P-53 e P-55 já são uma realidade, e provam o poder da engenharia brasileira, contribuindo com a retomada da indústria naval. No entanto, o gerente executivo do PROMEF Petrobrás Transporte, Transpetro, Arnaldo Arcadier, destaca que nem tudo é mercado nacional.

“A Transpetro possui uma carteira de 22 navios. Entretanto, os primeiros projetos da estatal vieram da Coréia. De 15 anos para cá, aprofundou-se o investimento na preparação da mão-de-obra nacional, majoritariamente jovem. Todos os funcionários do estaleiro Atlântico Sul – considerado como de 5ª geração -, em Pernambuco, são locais, da cidade de Ipojuca”, disse. Através de uma agressiva política de inovação, a Transpetro introduziu um programa para 40 navios, através do “Estaleiro Virtual”.

“Precisávamos de estaleiros de construção naval, que é a mola-mestra da indústria. A Projemar atuou em diversas plataformas da Bacia de Campos. Em 2004, um dos principais desafios da engenharia era a ‘garantia’, na indústria naval. Já fui gerente de seis plataformas de petróleo. Hoje, oferecemos demanda para obter estaleiros modernos e competitivos”, comparou.


‘Precisamos criar raízes’


Um dos fatores que irá gerar sustentabilidade para o setor é a indústria de navi-peças para o país.

“Queremos nos estabelecer. Vamos estimular essa competitividade. A curva de aprendizado depende diretamente da demanda, que, se for nacional, estimula a economia de peças daqui”.

Preço, prazo e competitividade são igualmente importantes. E, para o Brasil marcar presença como player no mundo, faz-se necessário um projeto global e visionário.

“Precisamos criar novos estaleiros, com engenharia e sistemas de produção modernos. Aqui cabem novos estaleiros”, planejou Arnaldo.

A Transpetro está estudando novos investimentos, de olho em uma demanda embasada na indústria crescente.

“O diferencial seria, ainda, um estaleiro de reparação naval, que o governo poderia investir. Por não possuir frota, seria um mercado interessante, sem muitos custos”, afirmou.


Fundo de manutenção


Outra questão importante é a criação de reservas para o setor. De acordo com Arnaldo Arcadier, um financiamento que alimente a indústria é “importantíssimo”.

“Precisamos manter a indústria naval em atividade, durante o período de consolidação do setor”.


Política de competição externa


No Brasil, o preço da mão-de-obra - três vezes maior que a coreana – e do aço são altos, quando comparados aos principais mercados do exterior. Na opinião de Arnaldo, faz-se necessário que o país incentive a indústria de base.

“Queremos o mesmo preço dos coreanos. Temos sempre que importar aço, para continuar fabricando por aqui”, queixou-se.

A valorização do transporte aquaviário também é uma preocupação da Transpetro, que se utilizará de rios do país para o desenvolvimento nacional.

“Somente olhando para todos os lados da questão, com navios e mão-de-obra nacionais, desenvolveremos políticas globais, inclusive para futuras exportações”.

Imagem: http://www.conttmaf.org.br/fotos/1267navios_aframax_transpetro_baixa.jpg

Setor naval projeta futuro do Brasil




Saulo Andrade


NITERÓI (RJ) - Um conjunto de cenários para o desenvolvimento do Brasil, nos próximos anos. Essa foi a principal premissa da pauta de discussões acerca dos desafios do setor naval, no último dia de debates da Fenashore, na tarde desta quinta-feira, dia 12, em Niterói. Os gargalos da inserção do país no mundo desenvolvido persistem, e o dever de casa precisa ser resolvido em curto prazo. A solução de problemas históricos, como o baixo nível de escolaridade, a ampliação da estrutura logística e o aperfeiçoamento da política tributária - somados ao baixo desempenho dos recursos de desenvolvimento e inovação -, fazem com que uma das principais indústrias do país, a naval, trave o seu potencial de desenvolvimento sustentado.

Cenários vão condicionar crescimento

As ameaças e oportunidades confrontam a economia brasileira. Com as oscilações mundiais, a sustentação dos índices atuais de nossa economia é um desafio premente. Somado a uma conjuntura mundial de certa tranqüilidade - sem as bruscas oscilações do principal mercado financeiro do planeta, os Estados Unidos –, nosso ritmo de crescimento pode nos tornar membros de uma economia de Primeiro Mundo. De acordo com o professor associado e chefe da área de transporte aquaviário do Programa de Engenharia Oceânica da UFRJ (COPPE), Floriano Peixoto, “as oportunidades estão aí”.
“E, caso os nossos problemas internos sejam resolvidos a contento, não seremos apenas um ‘emergente inercial ou retardatário’, ficando atrás de países como a Índia”, disse.

Privilegiar o Brasil

Na construção naval, os concorrentes asiáticos – com destaque para chineses e coreanos -, ainda saem na nossa frente. A indústria de componentes desses países não se limita apenas a componentes centrados. Estão espalhados em diferentes bases geográficas, produzindo em escala maior, internacionalizada; com assistência técnica em qualquer parte do mundo. Floriano destaca que as deficiências do Brasil ainda são impeditivas ao estabelecimento definitivo do setor.
“A base tecnológica e de engenharia não foi mobilizada para atuar mais diretamente na indústria naval. Esse é um desafio para o sistema de ciência e tecnologia do país. A logística apresenta problemas comerciais e de integração, que impedem que os negócios caminhem de maneira mais dinâmica”.

Qualificação

O Pré-sal abre um novo horizonte na indústria naval. Exigem-se políticas de manutenção do crescimento – os pré-requisitos de conteúdo local nas etapas do processo de exploração de petróleo evoluíram. Na intenção de dar respaldo ao combate dos gargalos do emprego e renda no país, o Prominp estabelece políticas de nacionalização de componentes. Através de regulamentação e certificação, o órgão visa estabelecer critérios que contemplem o conteúdo nacional. Trata-se de projetos voltados para políticas industriais, com metas finais e modelos de proteção e incentivo, associados a mecanismos de constante avaliação, buscando a eficiência constante.
Já o Estaleiro Mauá desenvolve ações junto ao Sinaval, identificando setores com potencial de nacionalização, particularmente no caso de navios e plataformas. Para Floriano, a indústria naval é a síntese do potencial de crescimento da economia brasileira.
“O desafio do nosso desenvolvimento é transformar o momento atual em um processo perene, auto-sustentado”, resumiu.


Wednesday, November 11, 2009

Caetano e os analfabetos


Caetano e os analfabetos


Miguel do Rosário


A história ensina a não confiar nos artistas. A quantidade de artistas que aderiram às teses de Mussolini, alguns mesmos tornando-se verdadeiros heróis do Il Duce, como o poeta D'Annunzio, já mostra que um artista entende tanto de política quanto de matemática. Por acaso, há artistas que entendem de política, como há artistas que talvez entendam de matemática; mas trata-se, por assim dizer, de coincidências.
Nosso alegre boêmio, Augusto Frederico Schmidt, por exemplo, apoiou o golpe de Estado de 1964, ou pelo menos foi isso que os jornais deram a entender, quando publicaram manchete com uma frase sua favorável ao regime. Céline teve que esperar alguns anos antes de poder retornar a França, pois havia sido condenado à morte por causa de sua posição dúbia - em alguns momentos até favorável - quanto ao nazismo; e o incomparável Knut Hansum, que escrevera o romance mais doloroso do século XX, A Fome (que traz a descrição mais humana, mais viva e mais autêntica da fome, segundo Josué de Castro), filiou-se entusiasticamente ao partido nazista, recebendo, inclusive, condecorações!
Portanto, não estranhem quando um grande artista como Caetano Veloso dá voz a preconceitos tão mesquinhos, como fez na entrevista ao Estadão, na qual declarou que "votava em Marina porque ela não era analfabeta como Lula".
Dias depois, o "cafona", o "grosseiro", era, pela enésima vez, recebido pela rainha da Inglaterra, que tinha um sorriso sincero e admirativo no rosto. O analfabeto estava lá para receber um prêmio internacional da Chatham House... O Primeiro Mundo nem sempre foi o mar de rosas pacífico, limpo e desenvolvido que gostamos de imaginar. Inglaterra, França e EUA já viveram fome, guerra, miséria, revoluções, e aprenderam que somente superaram suas dificuldades em virtude da sabedoria, criatividade e força dos homens simples, dos homens do povo.
Afinal, o que é ser "analfabeto" para Caetano? Sua crítica, aliás, está na boca de muita gente. Há uma consciência de classe muito específica aqui. Sim, porque, a questão não é saber ler ou não, pois Lula sabe ler muito bem. A questão é possuir uma determinada cultura, mas qual é, exatamente, essa cultura? São os clássicos? Lula deveria ter lido a Ilíada, de Homero? Aí entramos numa situação curiosa. É que Homero era, ele sim, um analfabeto, embora no caso dele não seria possível outra condição, porque, segundo a maioria dos pesquisadores, o alfabeto grego ainda não fora inventado. Andei lendo bastante sobre isso, e descobri que uma das teorias mais respeitadas entre os estudiosos é que a pessoa que inventou o alfabeto grego (que é uma cópia do fenício, adaptada ao vocabulário grego) o fez justamente para anotar os versos de Homero. A seguinte cena deve ser imaginada: Homero recitando os versos para que esse astuto e pioneiro escrivão anote-os, e daí nasce a literatura ocidental!
Não precisamos ir tão longe. Antropólogos e historiadores vem estudando com muito afinco, desde os anos 60, o poder das culturas populares, baseadas sobretudo na tradição oral. Pode-se transmitir conhecimentos oralmente? É claro que sim, pois de outra maneira qual o sentido de pagarmos 120 mil dólares para ouvir um professor "falar" sobre Platão, numa sala em Harvard? Não poderíamos, simplesmente, ler Platão no conforto de nossa casa - e sem gastar os 120 mil dólares?
As palavras ouvidas e faladas valem menos que as palavras escritas? Bem, talvez não seja isso o que pretendia dizer Caetano, porque suas letras são "cantadas" e não "lidas", e não é preciso ter lido Levi-Strauss para saber apreciá-las corretamente. Caetano expressou uma noção sobre "etiqueta". Uma visão (embora inconscientemnete, e mesmo assim indesculpável) um tanto fascista sobre uma determinada forma de se comportar, de falar, de se expressar, e que inclui o conhecimento, mesmo que superficial, mesmo que seja apenas um verniz, sobre um cânone.
O mundo produziu milhões de livros importantes, e hoje em dia é virtualmente impossível estabelecer precisamente quais devem ser lidos ou não. Caetano não leu nem 1% desses livros, assim como Lula. Eu também não li. Por outro lado, poderia-se acusar Lula de não ter lido Dom Casmurro. De fato, é um livro interessante. Mas aí precisamos fazer um interrogatório detalhado ao presidente, porque corremos o risco de quebramos a cara se ele responder: "eu li Dom Casmurro. Não gostei muito". Aliás, é fácil entender porque um operário de chão de fábrica, sem grande interesse pela literatura universal, não demonstre entusiasmo pela história de um burguesinho ciumento...
Milhares de brasileiros leram Dom Casmurro, mas permanecem na condição de "analfabetos", pois continuam cafonas e grosseiros. Depois ter cantado em dupla, por tantas vezes, com Júnior (o irmãozinho genial da Sandy), supreendi-me com esse súbito repúdio de Caetano à estética cafona... Ah tá, Júnior com certeza não é analfabeto... Claudia Leite também não é analfabeta... É de se perguntar, além disso, se Caetano chamaria Cartola, Pixinguinha e Nelson Cavaquinho de "analfabetos", por não possuirem instrução formal e se comportarem de forma um tanto "cafona". Pixinguinha recebia seus convidados segurando um copo cheio de cachaça e Cartola, sempre um orgulhoso e inveterado cachaceiro, trabalhou como flanelinha no centro do Rio...
Porque ainda há milhões de analfabetos de verdade, que não sabem assinar o próprio nome. Há casos tristes, trágicos, de pessoas que não conseguem sequer se expressar. Todos conhecemos casos assim, em geral associados às condições econômicas miseráveis. Há outros, que, apesar de não saberem ler, desenvolveram admirável capacidade oratória. Há pessoas que lêem muito, mas não conseguem falar. Meu pai era assim, coitado. Um homem culto, mas que não conseguia encaixar uma frase em outra. Era uma espécie de analfabeto da fala, e isso o fazia sofrer muito, porque dificultava a socialização e ele era um homem que amava muito seus amigos e via-se que ele se esforçava, às vezes, para superar sua deficiência. Bebia muito em função disso, para tentar se soltar. Eu herdei um pouco dessa dificuldade e também bebia muito tentando "destravar" a língua. No colégio, sofria horrivelmente com a insuperável dificuldade em abordar as meninas, em comunicar minha admiração por elas. Mas eu acabei superando essas barreiras, e tornei-me um tagarela quase insuportável.
Enfim, a humanidade oferece uma heterogeneidade muito grande de saberes linguísticos. Neste quesito, acho que Caetano, se tivesse a oportunidade de reelaborar suas colocações, aceitaria que Lula é um mestre, e não apenas no Brasil. A sensibilidade linguística de Lula é reconhecida internacionalmente. Seria desonesto negar os fatos, e a popularidade de Lula prova isso. A própria oposição política, não querendo dar o braço a torcer sobre sua qualidade como administrador, atribui a popularidade de Lula exclusivamente à sua técnica verbal.
Então de que analfabetismo fala Caetano? Voltamos ao cânone. Caetano tem um cânone na cabeça. São os livros que ele mesmo leu, e que ele considera, preconceituosamente, que todos deveriam ler, se querem ser inteligentes. Há também a questão do comportamento. Em outras entrevistas, Caetano admitiu, muito sapecamente, que adora o jeito 'classe-média' de ser, como fazer compras no supermercado Zona Sul, etc... Daí voltamos àquele repúdio sanguíneo ao sindicalista barbudo, grosso, cachaceiro, que não sabe segurar um garfo e faca, com quem não podemos conversar sobre vinhos franceses...
Eu conheço bem esse preconceito tolinho, esses olhos que brilham quando falamos em Marcel Proust, essa admiração canina por um diploma. O irônico de tudo é que a literatura autêntica nasce da vida, e os escritores vão as ruas estudar a personalidade de indivíduos como Lula para se inspirarem. Afinal, há os que escrevem, há os que lêem, e há os que inspiram livros. São os líderes políticos, os guerreiros, revolucionários, chefes sindicais, bandoleiros famosos.
Outro ponto que me veio à cabeça, quando li essa entrevista do Caetano, foi sobre Sancho Panza, o astuto escudeiro de Don Quixote. Sancho é uma figura fundamental no clássico de Cervantes, e até hoje talvez não tenha merecido a devida atenção. Lembrei de Sancho porque Lula é uma espécie de Sancho Panza da política. É um homem do povo que simula uma simplicidade muito maior do que a que realmente possui. Sancho Panza é muito mais prudente, esperto e lúcido do que seu patrão. Don Quixote é um bem-intencionado, um valente, um culto, mas é um indivíduo completamente destrambelhado, um louco. Sancho Panza é sua maior ligação com a realidade. E Sancho é leal e corajoso.
Outra figura muito parecida à Sancho Panza é Sam Weller, o empregado do Sr.Pickwick, no admirável romance de Charles Dickens. O escritor publicava os capítulos num folhetim. Quando introduziu Sam, houve um êxito instantâneo. Sua inserção no quinto capítulo da narrativa alavancou as vendas de forma estrondosa: do quarto número foram tirados 400 exemplares, após o surgimento da figura, a tiragem saltou para 400 mil antes mesmo do vigésimo capítulo.
Hoje poucos leram esse romance, o primeiro do escritor inglês. É um romance absurdamente hilário. As trapalhadas do Sr.Pickwick são de fazer qualquer um morrer de rir. Tão diferente das xaropadas melancólicas que Dickens irá escrever depois! Pois bem, o Sr.Pickwick resolve contratar um empregado para o ajudar em suas viagens pela Inglaterra e encontra Sam. O rapaz se revelará o verdadeiro "cérebro" do romance. É ele que inventa os planos mirabolantes e sempre bem sucedidos para tirar seu chefe das mais incríveis enrascadas. Além disso, possui um humor incomparável, e não economiza-o em momento algum. A genialidade de Sam retrata a admiração dos britânicos pela sabedoria popular, e explica a simpatia franca e humana com que a rainha Elisabeth recebe Lula toda a vez que o presidente põe os pés na ilha. Em toda Europa, a cultura (entendendo aí o comportamento, os modos, a maneira de falar) dos trabalhadores é respeitada com quase reverência. Na França, milhares de aristocratas tiveram suas cabeças cortadas por muito menos que entrevistas como essa de Caetano. Nos Estados Unidos, a criatividade do homem do povo é honorificada constantamente em filmes e livros.
Pois a cultura "livresca" que Caetano e grande parte da classe média brasileira prezam como condição mínima para uma pessoa pertencer à boa sociedade, para ser um não-analfabeto, implica também em matar a espontaneidade natural, aquela graça original, a força, a virilidade. Tantos historiadores já escreveram sobre isso, sobre a auto-censura a que o homem civilizado é sujeito, causa de tantas neuras e debilidades psíquicas! Afinal, qual o objetivo do ser humano? É ser um indivíduo com algumas leituras, ou mesmo um gênio da poesia, como D'Annunzio, mas que defende o fascismo? É ser um homem culto, porém sem graça, sem coragem, e broxa?
É muito difícil ser um homem inteiro, e conciliar o desenvolvimento pleno de todas as nossas faculdades físicas e psicológicas com uma participação criativa na sociedade. Muitos dizem que essas coisas estão ligadas, e que a debilidade psicólogica tem origem numa relação doentia e medrosa com o ambiente social. Eu acredito nisso. Gosto de participar da vida política do mundo porque sinto-me mais forte quando o faço. Sinto saúde. É uma relação de parceria. Eu ajudo (ou tento ajudar) o mundo e o mundo me ajuda.
Voltando ao analfabetismo de Lula, as pessoas como Caetano deveriam entender que o conhecimento deriva-se não apenas dos livros, mas da observação dos homens, superação das dificuldades, conversas noturnas, amor, casamento, sexo. Muitas pessoas querem encontrar nos livros o que talvez encontrassem numa boa conversa de botequim, ou simplesmente num passeio solitário pelas ruas. Muitas firulas psicológicas podem ser resolvidas com um saudável mergulho na vida, e a política, muitas vezes, proporciona essa aproximação com as forças primevas da sociedade. Esse conhecimento é genuíno. É tão válido quanto qualquer máxima filosófica. O próprio Kant entendia isso quando abre a sua obra-prima, a Crítica da Razão Pura, dizendo que todo e qualquer conhecimento nasce da experiência. E o que importa ao conhecimento são os frutos. De que adianta ler muitos livros e ser um idiota preconceituoso, ou um medíocre inútil e corroído pela inveja? Se Lula conseguiu se tornar um estadista invejável, admirado internacionalmente, dono de uma popularidade inédita no Brasil e no mundo, é porque ele colheu conhecimentos em algum lugar, não importa onde, processou-os, e converteu-os em vida, em talento, em sucesso, em redenção econômica e social para milhões de brasileiros. Se mesmo assim ele for considerado um analfabeto, então viva os analfabetos!


# Escrito por Miguel do Rosário # Sexta-feira, Novembro 06, 2009

Imagem: http://www.noticiasdabahia.com.br/fotos/19-02-2008_11_43_15_.jpg


E a Globo continua defendendo o golpe em Honduras


E o Globo continua defendendo o golpe em Honduras *
Merval Pereira é o principal colunista político do jornal O Globo, de maneira que, quando ele dá uma opinião peremptória e repetida sobre um tema, tenho todos os motivos para crer que se trata da opinião do próprio jornal, o jornal de maior circulação do Rio de Janeiro, o único que sobreviveu ao cerco econômico e político do regime militar. Ontem, sábado, 7 de novembro, Merval Pereira afirmou, categoricamente, e pela enésima vez, que o golpe de Estado ocorrido em Honduras não foi um golpe. Os argumentos são os mesmos de sempre. Mentiras. É tudo muito incoerente. O artigo não consegue se sustentar. É só soprar que ele cai de podre, pois fala em golpismo dos líderes políticos de Honduras ao mesmo tempo que nega o golpe. Afirma que Zelaya foi derrubado porque "tentou mudanças que poderiam abrir caminho para reeleição". Nunca li nada tão ridículo em minha vida. A democracia agora vale tão pouco que podemos derrubar presidentes eleitos por sufrágio popular por conta de meras (e tendenciosas) suspeitas da oposição sobre "mudanças que possam abrir caminho" para isto e aquilo? Merval enche a boca para falar em "cláusula pétrea", outra expressão que os golpistas do Brasil estão usando e abusando para impressionar os incautos. São leguleios, ou seja, não interpretam o verdadeiro espírito da lei. Eles manipulam interpretações da lei para justificar a mais grave violência que se pode fazer à uma democracia. O presidente da república é o cidadão mais graduado de um país. É a função suprema. O que tem havido, abaixo do Rio Grande, é um constante e sistemático ataque simbólico e midiático à instituição que é, entre todas, a mais genuinamente democrática, porque o presidente da república é o único servidor público eleito com sufrágio nacional e universal. Governadores e parlamentares são eleitos com votos de província. Juízes não passam pelo crivo popular, não são eleitos, nem expostos à rotatividade. O presidente da república é o único eleito por todos os cidadãos de um país e, por isso, é o sucessor simbólico e legal dos reis, dos imperadores, dos magistrados, dos cônsules. Eleito pelo povo, só pode ser removido pelo mesmo ou por um processo estritamente legal, com direito à plena defesa. Merval Pereira omite o principal: ao não ter direito à defesa, ao não ter sequer o direito de reagir verbalmente, Zelaya foi vítima de um golpe vil, covarde e desumano. Não apenas seus direitos políticos foram desrespeitados. Não apenas os direitos políticos de todos os que votaram em Zelaya foram desrespeitados. Os seus direitos humanos básicos foram violentados. Ele foi expulso do país! De seu próprio país! Não se faz isso nem com estupradores, nem com terroristas! Quanto mais com um presidente da república! E Merval Pereira e o Globo vem à público defender isso? Vem defender o golpe? Não me espanta que Merval tenha recebido o prêmio Maria Moors Cabot, o mesmo concedido a Roberto Marinho um ano após o golpe militar de 64, golpe o qual o Globo ajudou a articular e que sempre defendeu entusiasticamente.É muito grave isso. E a oposição brasileira, não tem nada a falar sobre o golpe? José Serra, como candidato à presidente da república, tinha obrigação moral de dar a sua opinião sobre o golpe de Estado em Honduras. Prefere se manter em cima do muro, para não correr risco de perder votos, demonstrando que é um covarde, um cidadão sem princípios políticos, e que participa da vida pública apenas por vaidade e capricho.E por falar em falta de princípios, hoje tive uma consciência nítida sobre o risco que o Brasil corre se os tucanos voltarem ao poder. Em entrevista à Folha, o senhor Armínio Fraga disse que a solução para todos os problemas do Brasil seria cortar gastos públicos. Ou seja, esses neoliberais tupis nem sequer fizeram uma autocrítica, nem sequer pensaram em reelaborar um discurso. Armínio Fraga, um dos cérebros econômicos do tucanato, em plena crise econômica mundial, defende algo como demissão em massa de funcionários públicos, redução de gastos em saúde, em educação, em meio ambiente, em assistência social... Sim, porque é nisso que o governo federal tem aumentado seus gastos. Armínio Fraga ainda tem a cara de pau de falar na necessidade de baixar os juros, logo ele que, assim que assumiu a presidência do Banco Central, elevou os juros básicos do país para 45%! Lembro muito bem disso, senhor Armínio, pois eu era micro-empresário e tinha conta bancária no Itaú, o qual havia me concedido um maravilhoso "cheque especial", presente de grego que se converteu, imediatamente, numa bola de neve terrível e que atrapalhou um bocado nossos negócios.Eu entendo que o Estado deva ser econômico e cuidar para não se tornar um peso para a sociedade. Mas Armínio Fraga fala na redução de gastos públicos como uma política de Estado, como uma estratégia política, e não como forma de reduzir o custo de vida do cidadão comum. Se houvesse essa preocupação, de reduzir o custo de vida da classe média e do pequeno empresário, ele deveria propor isso, claramente: um pacote de desoneração tributária para a classe média e para o pequeno e médio empresário. Seria inteligente, honesto e justo. Mas não. Ele prega uma redução genérica do gasto público, o que, naturalmente, só prejudicaria o lado mais fraco da população, aí incluindo a classe média a qual, embora não goste de admitir isso, sempre foi uma das principais beneficiadas por um Estado forte. Mas Armínio vai ainda mais longe: aconselha o governo a reduzir o crédito público. O gênio - provavelmente tão "brilhante" como Daniel Dantas - vai na contramão de qualquer bom senso e sugere, descaradamente, que o governo não continue trabalhando pela inclusão social. *O gasto público no Brasil não é alto. O Brasil não tem excesso de funcionários públicos e nem esses ganham salários excessivos. Inúmeros estudos, do Ministério do Trabalho, e do cientista político Wanderley Guilherme dos Santos demonstraram isso cabalmente. A carga tributária também não é exagerada - apenas, talvez, injusta, onerando excessivamente alguns segmentos sociais apenas "remediados" e, sobretudo, pequenos e médios empresários. Vários estudos comparativos com outros países mostram isso. O que a oposição deveria exigir, se tivesse comprometimento com o desenvolvimento econômico, era a redução dos impostos sobre o salário, pois esse é um problema que prejudica severamente a geração de empregos no país. *Voltando à Honduras, bem que eu desconfiava que o tal Micheletti não fosse cumprir o acordo. Por isso é tão absurda a comparação entre Zelaya e Micheletti, colocando um golpista desonesto, desleal, mentiroso, violento, covarde, ao mesmo nível que Zelaya, um presidente legitimamente eleito pelo povo hondurenho, e que, até o momento, tem se mostrado uma figura honrada e corajosa.Os jornais brasileiros se apressaram em lamber as botas do governo americano, tentando, com isso, deslegitimarem qualquer contribuição brasileira para a solução do imbróglio. Se ferraram mais uma vez. Os EUA, ao tentarem desatar o nó de maneira unilateral, envolveram-se no que arrisca ser um tenebroso fiasco diplomático e político, que pode inclusive degenerar numa guerra civil. Em vez de usar as organizações internacionais, como OEA e ONU, como o Brasil sempre defendeu, os EUA tentaram resolver o conflito na base da chantagem imperial, na base do "falar grosso". Deu no que deu. O ponto mais revoltante é que a mídia brasileira sequer se solidariza com o sofrimento inflingido aos funcionários brasileiros e cidadãos hondurenhos que estão na Embaixada em Tegucigalpa. Ao contrário, parece incitar ódio contra os brasileiros. Serra, aliás, fez sim uma declaração sobre Honduras. Disse que era uma "trapalhada" da diplomacia, mostrando-se desinformado e não solidário com seu próprio país. O que gostaríamos de ouvir, no entanto, é a opinião de Serra sobre o golpe de Estado. Ao defender o golpe, setores midiáticos ligados ao tucanato revelam o apreço torto que tem pela democracia, e o próprio tucanato, ao não tomar posição num tema geopolítico fundamental para as Américas, revela-se um partido desvirilizado, retrógrado, despreparado, com o germe golpista circulando-lhe pelo sangue de barata. O PSDB tornou-se refém de intelectuais de extrema-direita, como Reinaldo Azevedo e Merval Pereira, e afundou-se num lamaçal ideológico onde se vê apenas insegurança, covardia, confusão e conservadorismo. As repetidas declarações contra Chávez, repetidas pelos barões do tucanato, refletem essa irresponsabilidade quase adolescente, de quem precisa se auto-afirmar, e mostram políticos despreparados para governar o Brasil, pois compraram muito levianamente o discurso conservador da mídia, sem atentar para o fato de Chávez ser um presidente da república legitimamente eleito, num país com parlamento, judiciário, ministério público, ou seja, num país perfeitamente democrático, e, o que é importante (porque significa dinheiro, empregos, vida), um país que mantém um gigantesco volume de comércio com o Brasil. O tucanato, ligado apenas aos lordes rentistas, desprezam inclusive o valor do dinheiro oriundo do setor produtivo e exportador, esse dinheiro que se converte em empregos, em qualidade de vida, em alegria, e do qual o Brasil precisa desesperadamente para se desenvolver. É uma diplomacia arrogante e estúpida, porque não vêem como os EUA mantém relações amistosas com a Arábia Saudita, Paquistão e China, mesmo que esses países não compartilhem dos mesmos valores democráticos defendidos pela Casa Branca. A demonização da Venezuela é infantil e contraproducente, e o fato da oposição comprar essas idéias mostra o quanto ela é incompetente. É bom não esquecer que Chávez foi vítima de um golpe de Estado em 2002, e que os meios de comunicação venezuelanos, que hoje se posam de vítimas, defenderam o golpe. Aliás, a mídia brasileira também comprou muito facilmente aquele golpe. Por isso é tão grave que esse mesmo comportamento, esses mesmos valores golpistas, voltem a se manifestar na defesa do regime golpista de Honduras. Cada vez mais a imprensa brasileira faz jus ao epíteto de PIG (Partido da Imprensa Golpista) que o grande público da internet vem lhe dando.*Quanto ao episódio da moça da UNIBAN, creio que se trata de uma comprovação da tese de Einstein de que existem apenas duas coisas infinitas: o Universo e a estupidez humana. Os estudantes de Relações Públicas terão um case a mais para estudar nas faculdades: sobre como a covardia se converte em prejuízo. Ao menos serviu para alguma coisa: para mostrar o quanto um diploma universitário pode ser inútil. Pior: o quanto pode ser até uma vergonha. Sim, porque se numa briguinha de vizinhos alguém bater no peito e falar que tem faculdade, e outro disser que essa faculdade é a Uniban, o alguém será motivo de chacota.

Abertura do III Fenashore reúne autoridades comprometidas com o desenvolvimento da indústria naval brasileira


Niterói comprova, mais uma vez, vocação para setor
Saulo Andrade
NITERÓI (RJ) Consolidação de um crescimento flagrante. Esse é o espírito da terceira edição da Feira e Conferência Internacional de Tecnologia Naval e Offshore, a Fenashore. Mantendo a tradição de agregar diferentes atores sociais em prol do desenvolvimento de nossa indústria naval, a Feira recebeu as boas vindas do prefeito de Niterói, Jorge Roberto Silveira, que, no Caminho Niemayer, no Centro, deu a largada para o mais importante evento da indústria naval brasileira.
“Trata-se de uma Feira de interesse nacional e internacional. Niterói tem a honra de sediar um evento dessa importância. Agradeço muito a participação de todos os que organizaram a III Fenashore. Nós, da Prefeitura, buscamos fortalecer esse que é um dos segmentos industriais mais importantes para o momento vivido pelo Brasil contemporâneo. Declaro portanto aberta a III Fenashore”.
Indústria promissora
O presidente do Instituto Brasileiro de Petróleo, Gás e Biocombustíveis (IBP), João Carlos de Luca, citou a crise que abateu o setor nos anos 80 como referencial de crescimento da indústria naval brasileira.
“De lá pra cá, demos um salto significativo para 80 mil empregos diretos e indiretos na indústria naval. Desenvolvemos tecnologia, e hoje somos uma economia que movimenta R$ 5 bilhões por ano”.
João Carlos lembrou ainda que, com o Pré-Sal, as oportunidades se ampliarão ainda mais. No entanto, frisou que a mão de obra necessita de qualificação.
“Os desafios são enormes. Queremos dar sustentabilidade ao setor. Aqui, os especialistas discutirão os impactos da crise financeira mundial na indústria como um todo. Ao final, teremos um plano diretor, com um roteiro a ser seguido. Vivemos a oportunidade única para pequenas empresas mostrarem produtos e serviços. Niterói abriga 15 estaleiros, gerando empregos diretos e indiretos”.
Para o secretário de Ciência e Tecnologia de Niterói, José Raymundo Romeo, o início da caminhada foi “difícil”, com dificuldades econômicas na indústria naval brasileira. No entanto, os problemas foram superados, e a cidade e o país acumularam pontos importantes, que culminaram com a realização da III Fenashor.
“Para que não se repitam as crises de outrora, precisamos trabalhar com o conceito de sustentabilidade dos projetos. Discutiremos inovação, para fazer de Niterói ponto de referência, no sentido de incentivar parcerias com as empresas, em um parque tecnológico de primeiro time. Esse é um momento alvissareiro para a cidade – pólo de empresas brasileiras. Seremos a Feira que garantirá e consolidará o setor naval em Niterói, para o estado do Rio de Janeiro e para o Brasil”.
Trabalho integrado
Na opinião do presidente do Sindicato Nacional da Indústria da Construção e Reparação Naval e Offshore (Sinaval), Ariovaldo Rocha, o setor vem crescendo graças à compreensão e maturidade de diferentes setores da sociedade brasileira.
“Todos os segmentos são contemplados na indústria naval. Há um consenso entre empresários, trabalhadores, entidades de classe, estudantes e imprensa de que essa indústria é essencial para o crescimento do país. O trabalho conjunto, com geração de emprego e renda em prol da produção de navios prova que estamos no caminho certo”.
Incentivos necessários
Apesar de o horizonte revelar bons tempos para a economia nacional, Ariovaldo alerta que o setor ainda precisa de incentivo institucional.
“Em Brasília, temos 190 deputados e 18 senadores defendendo a nossa indústria naval. Recentemente foi aprovada a nova Lei, no sentido de investir R$ 5 bilhões em empresas que se encontrem em dificuldades financeiras”.
Educação e desenvolvimento
Além dos incentivos fiscais para o setor naval, outra frente de ação governamental está mudando o país. Visando o apoio à expansão industrial, o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) imprimiu um novo modelo, também para a educação. A Universidade Federal Fluminense (UFF) é uma das entidades públicas que vêm sendo convocadas a debater temas importantes para a sociedade civil. De acordo com o vice-reitor Manuel Andrade, a UFF “responde” a essa demanda, através de seus 40 mil estudantes.
“A Fenashore é um exemplo significativo de que os problemas que se apresentam podem e devem ser solucionados através de conhecimentos variados. Já tínhamos essa experiência, através dos desdobramentos das parcerias do Ministério da Educação. Estamos muito satisfeitos, e sempre prontos a dar as respostas que a sociedade brasileira precisa”.
Frente de batalho institucional
O secretário estadual de Desenvolvimento Econômico, Energia, Indústria e Serviços, Julio Bueno, afirmou que a indústria naval é “vital” para a economia do Rio de Janeiro.
“Historicamente, observamos problemas e falência nesse setor. Agora temos a grande oportunidade de vigorar a musculatura da indústria naval do Rio. Graças à Petrobras, faremos com que outros estaleiros funcionem aqui no estado. Para continuar crescendo, a luta de se garimpar áreas adequadas para que o setor se fortaleça deve ser ampliada”.
Lupi:’ Quero ver emprego!’
O ministro do Trabalho Carlos Lupi reforçou a vocação de Niterói para o setor naval.
“A cidade é referência: já mostrou competência para tocar grandes projetos nesse setor. Quero ver emprego! Com o Pré-Sal, as oportunidades de trabalho subirão dos atuais 50 mil para 400 mil ou até 500 mil empregos diretos e indiretos. Daí ressalto que a presença do Estado é importantíssima. O Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT), administrado pelo BNDES, já gerou quase R$ 200 bilhões, investidos na economia nacional. Atualmente, já estamos batendo a faixa dos um milhão de empregos gerados. E vamos continuar esse mutirão para dar mais oportunidade de trabalho ao povo brasileiro”.

De ‘ET’ a planos concretos de desenvolvimento

“Há seis anos, a indústria naval era considerada um ‘ET’”. Foi assim que o presidente da Transpetro, Sérgio Machado, adjetivou o setor, em tempos de descrédito por boa parte dos investidores. Ele afirmou que a III Fenashore veio num momento em que a indústria naval e o Brasil mostram força econômica.
“Nada é impossível para quem acredita no futuro. Existem dois tipos de cidadão: o crítico e o visionário. Aquele que se limita a apenas criticar o passado, jamais mudará o futuro. Os visionários, sim: mudam. O presidente Lula fez ressurgir a indústria naval brasileira. Até 2020, o transporte de navios deve ser ampliado em 95%, com a produção de seis milhões de barris de petróleo. Durante todo o tempo éramos o país do futuro – que já chegou”.

Engenharia e administração são fatores de crescimento e integração do setor naval

Engenharia e administração são fatores de crescimento e integração do setor naval

Saulo Andrade

NITERÓI (RJ) - A gestão de empreendimentos e a capacitação de mão-de-obra são condições primordiais para que o mercado continue fornecendo tecnologia à Petrobrás, através de contratos perenes. Esse discurso norteou os participantes do terceiro dia do ciclo de debates da Fenashore, na tarde desta terça-feira, dia 11.
Única Universidade especialmente convidada a participar, a UFF incentiva atividades acadêmicas de montagens, cortes e soldagem, na fabricação de estruturas metálicas. De acordo com o vice-diretor da Escola Fluminense de Engenharia da instituição, Prof. Miguel Luiz Ribeiro Ferreira, a Universidade “vem formando um total de 200 engenheiros, preparados para atuar na Petrobrás”.
Para o Conselheiro Vitalício da Associação Brasileira de Engenharia Industrial (ABEMI), Ricardo Pessoa, a intenção da Petrobrás é construir uma “ponte” entre a estatal e o mercado. A empresa recebe parceiras do mundo todo, interessadas em desenvolver o mercado offshore. “Paradoxalmente, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) não está presente nessa mesa de debates. Entre 2008 e 2009, o Banco foi um dos responsáveis por aportar reservas financeiras, no sentido de amortizar um pouco mais a crise financeira mundial no país. Não devemos nada a nenhuma empresa estrangeira. Os preços dos barris de petróleo estão se recuperando, e os grandes campos estão em pico. Há um clima de retomada, com um investimento de R$ 88 bilhões no setor de engenharia da estatal”.
Os aportes financeiros previstos tendem a evoluir ao longo do tempo, através da gestão compartilhada de negócios. A inovação da engenharia - dos anos 1960 pra cá - são parte do projeto de capacitação técnica.
“Nossa principal falha é a ausência de projetos básicos; não temos tecnologia de processo: foram todos feitos por estrangeiros, no Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj)”, lamentou Ricardo.
Relação custo e benefício
Outra frente de atuação é a nova modalidade de investimentos, no sentido de atrair clientes com menor custo e rapidez, dentro das necessidades do mercado. A gestão de empreendimento exige resultado para o contratante e o contratado. Engenharia e suprimentos devem trabalhar integradamente, com vantagens voltadas à desoneração de finanças e ICMS sanados. A finalidade é guardar, controlar e gerir a distribuição dos documentos, através de um banco de dados, em busca do custo mínimo.
“Estamos evoluindo à medida que o tempo passa. Isso pode ser comprovado nas unidades de perfuração e produção: os contratos atuais são mais baratos, num modelo de menor contingência, o que força uma nova forma de contratação no mercado”.
Gargalos superáveis
O setor naval, entretanto, ainda apresenta deficiências a serem superadas. A competitividade externa (principalmente dos países asiáticos); os altos tributos; a variação cambial, com altas taxas de juros; além do necessário incentivo da produtividade com qualidade; qualificação de gestão; mais e melhores parcerias nacionais e internacionais e gestão do risco no gerenciamento são metas a serem superadas.
“Estamos no caminho certo, mas devemos, ainda mais, estimular a instalação de empresas estrangeiras e nacionais; incentivar a concorrência e a capacidade produtiva no setor naval”, enumerou Ricardo.
Alívio para os mercados
Os empresários já podem se preparar para os próximos 10 anos. Além do Pré-Sal, outros projetos paralelos estão sendo desenvolvidos pela Petrobrás, que tem uma carteira de projetos extensa, com navios de grande porte.
“São mais de R$ 170 bilhões em investimentos; com R$ 90 bilhões para a construção naval e offshore”.
Fato é que a demanda é tão grande que o mercado não precisa se assustar. Mudanças são fundamentais, para que todos possam ser contemplados.
“Vive-se no setor grande demanda da construção e variadas formas de contratação. Mas precisamos defender o conteúdo nacional de maneira crescente, através de novas tecnologias”, disse.

Desenvolvimento da economia mundial passará por potências emergentes




Desenvolvimento da economia mundial passará por potências emergentes

Saulo Andrade
NITERÓI (RJ) - A crise financeira mundial – promovida pelo governo Bush, nos Estados Unidos – ainda não está completamente descartada.
A desaceleração do comércio diminuiu a possibilidade de se encontrar dinheiro (liquidez), em todo o planeta.
No Brasil dos últimos anos, o critério conservador do Banco Central, preservando os índices de juros (a taxa SELIC), em patamares relativamente altos, fez com que o governo não cedesse à tentação do afrouxamento fiscal, que poderia causar um aumento dos gastos públicos no combate à inflação.
O país e o mundo vivem, hoje, um novo paradigma do “pós-crise”: a importância de se adquirir ativos reais – patrimônios materiais que uma pessoa ou país possuem.
No nosso caso, o ativo real são os recursos naturais e as recentes descobertas do Pré-Sal, que nos tornam bem menos suscetíveis ao “risco”, na hora de se angariar investimentos.
Nós próximos três anos, o capitalismo irá sobreviver sem o glamour de outros tempos.

BRIC’s como novo referencial


Participante do segundo dia do ciclo de debates da Fenashore, na tarde do último dia 10, em Niterói (RJ), o Diretor Presidente e Fundador da empresa de consultoria econômica Macroplan, Cláudio Porto, destaca que países emergentes - como Brasil, Rússia, Índia e China (os BRICS) - começam a se descolar do “mundo dos riscos” de investimentos. Setores estratégicos - como energia, por exemplo - revelam que a economia nacional pode se dinamizar se governo e empresariado ficarem atentos às ameaças e oportunidades que o momento oportuno apresenta.
“Para essas nações, o resquício da crise que ainda resta deve ser aproveitado para a implementação de incentivos fiscais e readaptações estruturais. No caso brasileiro, a expectativa de uma participação mais atuante do Estado é fundamental para se ampliar o desenvolvimento, especialmente na área produtiva. Além, claro, do incentivo a uma iniciativa privada que amplie as perspectivas ao consumo interno do país”.

Pujança chinesa


Apesar de o Brasil desenvolver criativamente novos negócios, sem riscos, o mercado exportador agressivo da China se apresenta como ameaça externa.
Porto alerta, entretanto, que novos paradigmas estão se abrindo na economia mundial.
“Vivemos em um mudo mais multipolar, em que a questão ambiental e de responsabilidade social assumem papéis relevantes. Através de seus recursos, os BRIC’s apresentarão ao mundo novas oportunidades de inovação econômico-tecnológica”.

Desafios do Brasil

Diversidade de fontes renováveis; matriz energética forte; mercado integrado ou em grande escala são vantagens, mas não garantias para o nosso desenvolvimento.
Os gargalos da violência; da baixa escolaridade; da infra-estrutura de transportes; da carga tributária; do défcit da Previdência; da burocracia e das inovações tímidas, ainda provocam um atraso, em relação aos países desenvolvidos.
“Ou seja, se quisermos realmente vir a ser um país de Primeiro Mundo, o dever de casa deve ser feito, nos próximos nos próximos 20 anos. Caso contrário, seremos um emergente retardatário, que perde oportunidades; viveremos sempre com o velho jargão de ‘país do futuro’, com prosperidade à vista; ou obteremos um crescimento inercial, mas desperdiçando oportunidades”, alertou Cláudio Porto.

Pré-Sal como alavanca da economia brasileira

Na indústria do petróleo, o sucesso depende da infra-estrutura capacitada.
Atualmente, o horizonte do Pré-Sal revela que o Brasil apresenta capacidade de atuar no mercado através do acréscimo da extração de 13 bilhões de barris - mais que dobrando as reservas de hoje, de 33 bilhões, para 46 bilhões.
Isso demanda, entretanto, maior esforço e logística. Nesse cenário, o país pularia da atual 16ª colocação, para a 8ª, como produtor de barris.
O Assessor de Energia & Petróleo do Instituto Brasileiro de Petróleo (E&P – IBP), Getúlio Leite, explica que o Brasil iniciou, a partir de 1954, os processos de exploração terrestre; de águas rasas e profundas.
“Para se gerar emprego e renda, a questão do petróleo brasileiro deve estar agregada com outros fatores de desenvolvimento social, através de uma rodada de negociações que contemple conteúdo local, em sua fase de exploração e produção”.
Nesse cenário, o preço do barril não deve oscilar menos que $ 13, num modelo de concessão que atente para o mercado nacional.
Isso porque, comprando no exterior, a Petrobrás gerará empregos lá fora. Aqui, a empresa incentiva à política de conteúdo local, contemplando uma demanda de 207.810 vagas de empregos a serem preenchidas, nos próximos anos.
“Serão 35 anos de contrato de exploração e produção. A perfuração de poços é muito cara: $ 82,8 bilhões. O Estado deve ser o grande organizador dessa demanda, em que indústrias brasileiras capacitadas devem sempre priorizar o constante desenvolvimento da mão de obra”, disse.

Tuesday, May 19, 2009

Hedonismo


21/05/07

Este texto diz muito sobre a mediocridade desses tempos pós-modernos: Corremos muito para sobreviver nisso aqui. Vale a pena?

Hedonismo
Enviado por Mag Guimarães, Roterdã-Holanda

Hedonismo, segundo o dicionário Houaiss, é a "doutrina filosófica que encara o prazer e a felicidade como bem supremo. Dedicação ao prazer como estilo de vida"

Por José A. Pimentel

Eu li, em um dos livros do Ruy Castro que, ainda mais legal do que unir o útil ao agradável, é unir o agradável ao agradável. A exaltação do desfrute. Há tempos venho ruminando sobre isso.

Conheço muitas pessoas que vão ao cinema, a boates e restaurantes e parecem eternamente insatisfeitas. Até que li uma matéria com a escritora Chantal Thomas na revista República e ela elucidou minhas indagações internas com a seguinte frase: "Na sociedade moderna há muito lazer e pouco prazer".

Lazer e prazer são palavras que rimam e se assemelham no significado, mas não se substituem. É muito mais fácil conquistar o lazer do que o prazer. Lazer é assistir a um show, cuidar de um jardim, ouvir um disco, namorar, bater papo. Lazer é tudo o que não é dever. É uma desopilação. Automaticamente, associamos isso com o prazer: se não estamos trabalhando, estamos nos divertindo. Simplista demais.

Em primeiro lugar, podemos ter muito prazer trabalhando, é só redefinir o que é prazer. O prazer não está em dedicar um tempo programado para o ócio. O prazer é residente. Está dentro de nós, na maneira como a gente se relaciona com o mundo.

Chantal Thomas aborda a idéia de que o turismo, hoje, tem sido mais uma imposição cultural do que um prazer. As pessoas aglomeram-se em filas de museus e fazem reservas com meses de antecedência para ir comer no lugar da moda, pouco desfrutando disso tudo.

Como ela diz, temos solicitações culturais em demasia. É quase uma obrigação você consumir o que está em evidência. E se é uma obrigação, ainda que ligeiramente inconsciente, não é um prazer.

Complemento dizendo que as pessoas estão fazendo turismo inclusive pelos sentimentos, passando rápido demais pelas experiências amorosas, entre elas o casamento. Queremos provar um pouquinho de tudo, queremos ser felizes mediante uma novidade. O ritmo é determinado pelas tendências de comportamento, que exigem uma apreensão veloz do universo.

Calma. O prazer é mais baiano

O prazer não está em ler uma revista, mas na sensação de estar aprendendo algo. Não está em ver o filme que ganhou o Oscar, mas na emoção que ele pode lhe trazer. Não está em faturar uma garota, mas no encontro das almas. Está em tudo o que fazemos sem estar atendendo a pedidos. Está no silêncio, no espírito, está menos na mão única e mais na contramão. O prazer está em sentir. Uma obviedade que merece ser resgatada antes que a gente comece a unir o útil com o útil, deixando o agradável pra lá.

Imagem: http://farm4.static.flickr.com/3099/2701528969_ce748cbeb5_o.jpg

É humano um ser que mata crianças?




09/02/07

É humano um ser que mata crianças?

Na pressa de consumir um carro roubado, três menores de 21 anos não perceberam outro menor, de seis anos de idade, que, desesperado, tentava sair do automóvel. O menino foi esquartejado, do lado de fora do carro em alta velocidade.

Esse episódio é a síntese da correria em que hoje vivemos: precisamos, a todo custo, acompanhar as demandas de uma sociedade doente, que só pensa em consumir a todo custo - nem que para isso seja necessário pisar ou esquartejar um semelhante.

E esse esquartejamento está presente em todos os lugares, onde a lei do dinheiro fala mais alto: no ambiente de trabalho; no governo; no Congresso Nacional; no governo; na cobrança de impostos; no ato de se expulsar um pedinte de uma lanchonete e de se matar inocentes no Iraque...

Essa foto eu tirei em Juazeiro do Norte, Ceará. Essas crianças pediam R$ 1, 00 em troca de ricas informações histórico-turísticas. Agora, quantas vozes infantis precisarão ser caladas pela fome – outra forma de esquartejamento social?

Saulo Andrade - músico, jornalista, cidadão.

A Alma dos Diferentes (Artur da Távola)


Diferente não é quem pretenda ser. Esse é um imitador do que ainda não foi imitado, nunca um ser diferente.
Diferente é quem foi dotado de alguns mais e de alguns menos em hora, momento e lugar errados para os outros. Que riem de inveja de não serem assim. E de medo de não agüentar, caso um dia venham, a ser. O diferente é um ser sempre mais próximo da perfeição.
O diferente nunca é um chato. Mas é sempre confundido por pessoas menos
sensíveis e avisadas. Supondo encontrar um chato onde está um diferente,
talentos são rechaçados; vitórias, adiadas; esperanças, mortas. Um diferente
medroso, este sim, acaba transformando-se num chato. Chato é um diferente
que não vingou.
Os diferentes muito inteligentes percebem porque os outros não os
entendem. Os diferentes raivosos acabam tendo razão sozinhos, contra o mundo
inteiro. Diferente que se preza entende o porque de quem o agride. Se o
diferente se mediocrizar, mergulhará no complexo de inferioridade.
O diferente paga sempre o preço de estar - mesmo sem querer - alterando
algo, ameaçando rebanhos, carneiros e pastores. O diferente suporta e digere
a ira do irremediavelmente igual: a inveja do comum; o ódio do mediano. O
verdadeiro diferente sabe que nunca tem razão, mas que está sempre certo.
O diferente começa a sofrer cedo, já no primário, onde os demais de mãos
dadas, e até mesmo alguns adultos por omissão, se unem para transformar o
que é peculiaridade e potencial em aleijão e caricatura. O que é percepção
aguçada em : "Puxa, fulano, como você é complicado". O que é o embrião de um
estilo próprio em : "Você não está vendo como todo mundo faz? "
O diferente carrega desde cedo apelidos e marcações os quais acaba
incorporando. Só os diferentes mais fortes do que o mundo se transformaram
( e se transformam) nos seus grandes modificadores.
Diferente é o que vê mais longe do que o consenso. O que sente antes mesmo
dos demais começarem a perceber. Diferente é o que se emociona enquanto
todos em torno agridem e gargalham. É o que engorda mais um pouco; chora
onde outros xingam; estuda onde outros burram. Quer onde outros cansam.
Espera de onde já não vem. Sonha entre realistas. Concretiza entre
sonhadores. Fala de leite em reunião de bêbados. Cria onde o hábito
rotiniza. Sofre onde os outros ganham.
Diferente é o que fica doendo onde a alegria impera. Aceita empregos que
ninguém supõe. Perde horas em coisas que só ele sabe importantes. Engorda
onde não deve. Diz sempre na hora de calar. Cala nas horas erradas. Não
desiste de lutar pela harmonia. Fala de amor no meio da guerra. Deixa o
adversário fazer o gol, porque gosta mais de jogar do que de ganhar. Ele
aprendeu a superar riso, deboche, escárnio, e consciência dolorosa de que a
média é má porque é igual.
Os diferentes aí estão: enfermos, paralíticos, machucados, engordados,
magros demais, inteligentes em excesso, bons demais para aquele cargo,
excepcionais, narigudos, barrigudos, joelhudos, de pé grande, de roupas
erradas, cheios de espinhas, de mumunha, de malícia ou de baba. Aí estão,
doendo e doendo, mas procurando ser, conseguindo ser, sendo muito mais.
A alma dos diferentes é feita de uma luz além. Sua estrela tem moradas
deslumbrantes que eles guardam para os pouco capazes de os sentir entender.
Nessas moradas estão tesouros da ternura humana. De que só os diferentes são
capazes.
Não mexa com o amor de um diferente. A menos que você seja
suficientemente forte para suporta-lo depois.

Poesia de Dayse Mary de Andrade:


São 4 horas da manhã e Branca desperta de um sonho confuso.Ultimamente tem sido assim. Casa vazia, luzes apagadas. É o que Branca é.Ela se revira na cama grande, o rádio sempre ligado ao lado da cabeça noticiando repetidamante os mesmos fatos.Melhor assim.Quando sintoniza em estações musicais o sono nunca vem.As divagações a inquietam com as canções.Ainda agorinha Bethânia cantando sua realidade:”Ah... se eu te pudesse fazer entender...que eu preciso aprender a ser só...”Mas Branca não sabe a quem dirije sua dor de solidão profunda descrita na canção.Amores teve muitos. Amigos ,ontem mesmo era sábado e esteve com os mais próximos,Branca agora os revê parados,enfileirados em momentos e no aparador cheinho de porta-retratos. Alguns aconchegados a ela em abraços e sorrisos carregadinhos de cumplicidade ao seu jeito de ser, meio fora de padrão.Branca sempre se sentiu assim. Sem par. Mesmo exposta, compartilhando com todos suas dores e prazeres exagerados.E agora essa nova velha dor incessante e calada, erosiva, como se abrisse o túnel vazio e escuro do seu dentro em ser.Uma cidade craterada bem ao meio sua angústia.Se ao menos pudesse se embriagar no absinto da leveza ... um copo de vinho para celebrar a vida,comemorar o tempo que passou e o que está por vir.Do que será feita a vida de Branca daqui a não sabe mais tempo?Continuará assim, alguns outros sábados, os bares, os amigos mais próximos enfileirados em sorrisos e frases, se entreolhando , tentando sempre um grande encontro?Todo mundo compartilhando o “é melhor ser alegre que ser triste, mas pra fazer um samba com beleza é preciso um bocado de tristeza”...
Agora lhe vem à tona o depoimento do Zé Catimba, o grande compositor.De um requinte tão feito do simplesmente.As palavras dele se repetiam ecoando pela sala de Branca.
Zé Catimba veio lá do sertão mas “vive na cidade sem ficar contrariado”há muitos anos..Uma belezura só,a alma deste homem , resplandecendo no encontro do bar, pairando sobre a mesa como luzes suspensas.Coisa mais bonita o desfolhar da história de um sertanejo,um personagem contemporâneo trazendo dentro outros tantos e tempos de outrora. Lirismo de repentista e feiras de nordeste, realejo urbano,sonhos por atacado em sambas e canções ,maçãs do amor de parques da memória. Uma literatura inteirinha feita de menino de rua, engraxate,morros , planícies,mares,avenidas, de todas as subidas e descidas de uma trajetória; mangueiras e portelas desfilando na varandinha do encontro.Mestre-sala da existência.Sua porta-bandeira, a poesia, que ele vai conduzindo em estações primeiras de canções e penúltimas pois sempre haverá uma próxima. E enquanto falava sentia-se à volta uma aura de alas e escolas e velhas guardas de anjos negros e sambistas.Lindas cabroxas entre nuvens de confetes e estrelas rodopiavam ,os quadris ao som de suas palavras - bateria nota 10- e de um samba ainda não escrito.
Além dele, só as rosas falavam.Mas poucos ouviram.
Imagem: http://ipt.olhares.com/data/big/6/62285.jpg

Dayse Mary de Andrade

Carta ao filho distante


"Estou aqui no açaí,
o povo brasileiro continua lindo,
continua tendo aquela esperança
que se vê a todo instante
no sorriso do gari
varrendo a rua sem fim
marcando os passos , na cabeça o descompasso
levando dentro da caçamba o lixo terceiro-mundista.
O lixo mal cheiroso dos gabinetes do poder,
vai varrendo e cantarolando
um samba por fazer.
O povo brasileiro continua lindo ,
amenizando sempre a dor num churrasco de esquina
num copo gelado
no requebro dos quadris
da falsa loura
autêntica,
Julietíssima, sonhando com o próximo amor.
Ai quem lhe dera o príncipe da Clin* de uniforme e longas botas
galgando o caminhão
tão valente e audaz
ó brisa de fumaça que lhe traz
o sonho de um beijo
misturado ao cheiro da carne que queima
na esquina
do churrasco
do copo gelado, jeito safado de disfarçar a lida
numa canção doída
de pandeiro e cavaquinho.
O povo brasileiro sabe
e como ninguém
transformar a vida
em samba ,varrer o desalento pra caçamba
e revirar os olhinhos
como Carmem Miranda."
Dayse Mary de Andrade
02.04.2008

*Companhia de Limpeza Urbana de Niter'oi

Encontros da solidão

NADA MAIS RARO QUE UM SAGAZ ESPIRÍTO SUFICIENTEMENTE AUTO-SUSTENTÁVEL QUE, AO SE DIZER GRANDIOSO, CHEGA A NÃO PRECISAR DE MAIS NINGUÉM PARA DESVENDAR/DESENVOLVER OS SEUS PRÓPRIOS MISTÉRIOS; ESCONDIDOS NO MAIS PURO ÂMAGO DE SUA SENSIBILIDADE (ISSO PORQUE TALVEZ NÃO TENHA ENCONTRADO UM AMOR PARA A VIDA INTEIRA...).

'Foi um rio que passou em minha vida'

Estar do outro lado do mundo, ouvindo música romantica, às 7h, pensando na mulher do mesmo continente/universo que eu. Existe forma melhor de se fazer um ato político?
“Apesar de você, amanhã há de ser outro dia”; e, claro, os dias não bastam para preencher vazios e respostas inconclusas que embarcam e desembarcam em Brasis de pensamentos, carros, passos e speakers (in English, please!).
Mas, um dia, todos retornarão “feito bailarina, que logo se alucina, salta e te ilumina, quando a noite vem…” Não. Deixa pra lá: A noite veio, sem ilusões. Muda de posição, e encosta sua cabeça em meu peito. Vamos conversar sobre o que ainda não sabemos. Incompletude. Inconclusão. Descobrir porque absurdos, afinal, a professora de inglês não sabe da perfeita tradução da palavra “ditadura”, nem quem são esses tais de Jorge Amado, Neruda ou Garcia Marquez…
“Ahora verán que estamos en salsa!” Deixemos portanto que cada Mirada, sonrisa, beso y silencio se converta em atos políticos. Melhor: Tanto faz… Prefiro o Segundo Caderno: Baila comigo, que así está bueno…

Eu sou:


Boleiro, brasileiro, do Rio de Janeiro. (...) "A alegria batendo no peito; o radinho contando direito, a vitória do meu tricolor. Vou que vou", procurando balas perdidas de cogumelo num país distante, só que nunca acompanhado de "cegos", perdidos em tiroteios de consumo e mediocridade...
"Caliente", de repente penso na minha gente - "simples, que vontade de chorar" -, com as almas repletas de espontaneidade, refletidas em sorrisos sofridos e gargalhadas escandalosas - ainda bem!
E assim sigo: Em sambas, em canção, em salsa, merengue, rock n' roll, paixão... "Cabeça de homem, coração de menino". De humilde. "Amigo de fé, irmão camarada".
Peregrino - com a devida licença da camarada Dacal rsrs. Olhos abertos; sangue latino.
Sobrevivendo... Ou melhor, não: "Vivendo e aprendendo a jogar"...

Perfil de um amigo niteroiense (Vladmir):


"SOU UM CARA LEGÁL. NA MAIORIA DAS VEZES, MUITO DEBOCHADO, MAS ULTIMAMENTE VENHO TENTANDO ME CONTROLAR. SOU UMA DAS FORÇA UNDERGROUDIANDA, EMBORA PROVEM O CONTRÁRIO, SE É QUE ESTE NÃ0O SEJA UM DOS CAMINHOS PARA PECORRER. GOSTO DO AMOR. GOSTO DE SEXO. GOSTO DE FICAR PARADO. GOSTO DE NADAR A PÉ. ALÉM DISSO, BEBIA MUITO NAS MEDIAÇÕES DOS ARCOS DA LAPA. AGORA TOW MAIS DEVAGAR. ERROS DE PORTUGUÊS SÃO MUITOS. ERROS DE ALEMÃO SÃO MUITOS, MAS SÓ TEM X-9. SRPINGLOVE. É SUPER NATURAL, UM DIA A GENTE PERDE, E NO OUTRO DIA A GENTE APANHA. NEGÓCIO É FICAR DO LADO BEM. AMAR É UM ERRO. FAZER SEXO É A SOLUÇÃO. MAS CUIDADO PRA CAMISINHA NÃO ESTOURAR. ELA PODE NÃO TER TOMADO O ANTI. SOU CONSERVADOR, PQ GOSTO DE CONSERVA. GERLAMENTE COM LEGUMES E TAL. VC RI DE MIM. RIO DE TI. A GENTE RI JUNTO...E FAZ UM MOVIMENTO. ISSO AQUI É MINHA DESCRIÇÃO. O QUE ISSO TEM HAVER?!NÃO FIQUE SANGADA(O). TENHO SAUDADE DA MINHA INFÂNCIA. O SOL NA MINHA CARA E A VONTADE DE VIVER. SORRIR PRAS MENINAS....UM CHURRASQUINHO DE PIRANHA NA ESQUINA. HUM....QUE DELÍCIA. ACHO QUE DÁ PRA SACAR ALGUMA COISA. MAS NAUM ESQUEÇAM?!CANTAREIRA É UM DOS LUGARES MAIS INTERESSANTES QUE JÁ VI....ALI TEM DEUS E O DIABO TOMANDO CERVEJA.
UMA ABRAÇO A TODOS". OSTRACISMIR ESCANTEIO

Meu mundo é hoje


O Al-Kaeda ja disse que o Obama é um "negro a serviço da união dos Estados Unidos: atuará apenas para defender e manter a hegemonia da elite branca..." E agora, José: qual vai ser a do mundo?
Os desencontros continuam, principalmente quando os brancos se metem a ter consciência negra. Quer mais polemica? A consciência do branco seria realmente negra quando ele atua -mesmo que "involutariamente"- contra os ancestrais do Brasil-Africa?
Talvez porque ninguém ainda percebeu que a Consciência mundial de nossa GRANDEZA e RIQUEZA não deveria ser necessariamente Negra; mas miscigenada...
B-Negão tem razao: "O processo é lento"...

Pequena análise anti-poética da letra de "Angústia", dos Secos e Molhados.


AGONIZO SE TENTO
RETOMAR A ORIGEM DAS COISAS (Retomar a origem das coisas é um dos maiores tormentos da humanidade. Nela, Deus e o diabo -representados pela tristeza e alegria- caminham juntos, já que tudo se limitará à repetição do erro ou à correção do equívoco).
SINTO-ME DENTRO DELAS E FUJO (Bom, mas quando se consegue retomar essas tais origens, melhor -para o aprendizado- não fugir. Cleber BamBam já disse que isso "faz parte").
SALTO PARA O MEIO DA VIDA (E, a partir do momento em que não fujo, o início -e não o meio- da vida se reflete, porque a alma se revigorou com o retorno das origens).
COMO UMA NAVALHA NO AR (Não exatamente como uma navalha no ar, mas, também poeticamente, como um Deus, que transcende o lugar-comum).
QUE SE ESPETA NO CHÃO (E, claro, continuo com os pés no chão, tentando nãao me espetar com os espinhos do inicio, meio e fim da vida).

NÃO POSSO FICAR COLADO NA NATUREZA COMO UMA ESTAMPA (Qualquer fiscal da natureza fica colado na natureza como uma estampa. Isso faz bem à procura de si mesmo).
E REPRESENTÁ-LA NO DESENHO
QUE DELA FAÇO
NÃO POSSO (A arte de representar me instiga a imitar uma árvore).
EM MIM NADA ESTÁ COMO É
TUDO É UM TREMENDO ESFORÇO DE SER (Árvores representadas remetem a raízes. Daí voltamos para a dor do ser que agoniza ao tentar retomar as origens das coisas, nesse tremendo esforço de ser).

O subúrbio do mundo



Coisa mais interessante e ser cleaner de shopping (faxineiro de shopping), aqui na Australia. Sinto-me como um retirante nordestino, que, ao chegar no Rio de Janeiro, com muito esforço, consegue um emprego no Plaza Shopping Niterói (Praza, de humilde, né!), garantindo mais um "posto de trabalho" (como gosta de afirmar a nossa podre elitizinha direitista).
Eu, neste caso, sou um retirante do mundo. Venho de um exótico e distante País. Um "planeta" diferente, ao sul das Américas, muito conhecido pela violência, pelas festas (Carnaval!! Uhu!!), pela corrupção, pelo futebol cinco estrelas e pelas lindas "bailarinas", que supostamente falam espanhol ("Não? Sorry! No Brasil vocês falam português? Ah, não sabia"...).
Todas as loirinhas Anglo-Saxônicas -como em qualquer shopping da Barra-, empurradas pela correria do sonho pequeno-burguês de cada dia, são praticamente um objeto distante da minha realidade.
Invisível, faz-se necessário esquecer -durante o período laboral- toda a sua bagagem acadêmica. Afinal, limpar o chão de um templo de consumo é o que resta, pelo menos por enquanto, para a maioria dos imigrantes latino-americanos, quando a busca por dinheiro que paga as contas se torna mais importante que qualquer pseudo-posição na piramide social (especialmente em períodos de Crise Financeira Mundial).
Hoje à tarde passei por um episódio curioso.
A neo-zelandesa que trabalha comigou me perguntou: "Você gosta desse trabalho?". E eu disse: "Na verdade, eu nao gosto, mas é razoavelmente bom, já que consigo viver dignamente trabalhando como cleaner. No meu País sou jornalista". Espantada, desengoncada, envergonhada e sem o menor traquejo, ela chutou o balde, deixou a água quente cair no chão, e continuou, com os olhos arregalados de susto ("afinal, como pode um ser pensante trabalhar 'COM ISSO'?"): "Mas o que você está fazendo aqui, limpando?". E eu disse: "Isso e o que me cabe para bancar meus estudos, qualificar-me na Australia e, quem sabe, voltar ao Brasil para tentar -eu disse tentar- recomecar a minha vida profissional e receber o mesmo salário (ou menos) que recebo mensalmente aqui, mas trabalhando lá, como jornalista".
Definitivamente, ser faxineiro no Primeiro Mundo é um excelente exercício sociológico -propício para aqueles que pensam estarem construindo seus castelos, isoladamente de todo tipo de miséria humana. Coitados. Muita "gente bonita" -de alma pobre- de nossas grandes cidades não percebe que, no fundo, a favela são eles mesmos. Somos nada menos que o subúrbio do mundo.

Roubado na Austrália



"Em setembro do ano passado fomos surpreendidos por uma revelação teatral: nós, que pensávamos viver em um mundo seguro, apesar das guerras, genocídios, hecatombes e torturas que aconteciam, sim, mas longe de nós, em países distantes e selvagens, nós vivíamos seguros com nosso dinheiro guardado em um banco respeitável ou nas mãos de um honesto corretor da bolsa quando fomos informados de que esse dinheiro não existia, era virtual, feia ficção de alguns economistas que não eram ficção, nem eram seguros, nem respeitáveis. Tudo não passava de mau teatro com triste enredo, onde poucos ganhavam muito e muitos perdiam tudo. Políticos dos países ricos fecharam-se em reuniões secretas e de lá saíram com soluções mágicas. Nós, vítimas de suas decisões, continuamos espectadores sentados na última fila das galerias". Augusto Boal.



E um milhagre aconteceu! Sim, meninos, eu vi (mas as cameras BBB do shopping Canguru, não)! Assaltaram-me aqui, nesse país maravilhoso e organizado, onde nada sai do lugar, da lei, da ordem (aliás é crime tomar uma gelada e cantar depois das 20h)... Fui roubado!



De certa forma, roubaram bens materiais... A dignidade –graças a meus embasados principios, não. Sim, o dinheiro está curto, e me tornaram refém de uma vida privada –privadas-, numa empresa que não proteje seus funcionários e ao mesmo tempo lava as mãos, dizendo-se não responsabilizar pelas mochilas de seus trabalhadores, dentro de sua própria sala, no ambiente em que almoçaamos, tiramos o break.


Engraçado, alguma coisa está fora da ordem –diria Caetano-, ainda que alguns esbravegem, insistindo que -o Brasil é pior, hein...


Pior? Não, meus caros. O Brasil e difícil de se viver, de se ganhar dinheiro, mas nada melhor que saber de onde vem o roubo maior –mais uma vez, Caetano-, dos podres poderes. Aqui, quem teria sido? Um japonês, coreano, australiano, brasileiro, boliviano? Em um mundo globalizado pela competição do cada um por sí, na esteira de uma crise financeira muito maior, que vai, aos poucos, revelando a face de uma humanidade doente... Qual a nacionalidade do mau-caratismo e da canalhice?


E aí, qual o grau de limpeza de sua barra nesse quinhão?. Na grande mentira e ilusão do mundinho atual, você conseguiu escapar ou vai continuar refém, apenas porque você é mais um –ser humano que pensa, fala, escreve, faz música, ama, sobrevive, imigra? Afinal, não há escolha. Tudo bem, continue assim. Mas, quando sair, dê a descarga –claro, depois de limpar todas as privadas-, por favor...