Tuesday, May 19, 2009

Pequena análise anti-poética da letra de "Angústia", dos Secos e Molhados.


AGONIZO SE TENTO
RETOMAR A ORIGEM DAS COISAS (Retomar a origem das coisas é um dos maiores tormentos da humanidade. Nela, Deus e o diabo -representados pela tristeza e alegria- caminham juntos, já que tudo se limitará à repetição do erro ou à correção do equívoco).
SINTO-ME DENTRO DELAS E FUJO (Bom, mas quando se consegue retomar essas tais origens, melhor -para o aprendizado- não fugir. Cleber BamBam já disse que isso "faz parte").
SALTO PARA O MEIO DA VIDA (E, a partir do momento em que não fujo, o início -e não o meio- da vida se reflete, porque a alma se revigorou com o retorno das origens).
COMO UMA NAVALHA NO AR (Não exatamente como uma navalha no ar, mas, também poeticamente, como um Deus, que transcende o lugar-comum).
QUE SE ESPETA NO CHÃO (E, claro, continuo com os pés no chão, tentando nãao me espetar com os espinhos do inicio, meio e fim da vida).

NÃO POSSO FICAR COLADO NA NATUREZA COMO UMA ESTAMPA (Qualquer fiscal da natureza fica colado na natureza como uma estampa. Isso faz bem à procura de si mesmo).
E REPRESENTÁ-LA NO DESENHO
QUE DELA FAÇO
NÃO POSSO (A arte de representar me instiga a imitar uma árvore).
EM MIM NADA ESTÁ COMO É
TUDO É UM TREMENDO ESFORÇO DE SER (Árvores representadas remetem a raízes. Daí voltamos para a dor do ser que agoniza ao tentar retomar as origens das coisas, nesse tremendo esforço de ser).

2 comments:

  1. Fantástica interpretação dessa densa e profunda poesia. Essa análise obtusa só pôde se dar, estou certo disso, após a audição que fizemos dessa música em Byth Street. Interessante como determinados elementos químicos, ao induzirem reações químicas neuro-cerebrais específicas, permitem-nos uma visão, como posso colocar?, mais sóbria da obra.

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