
"Em setembro do ano passado fomos surpreendidos por uma revelação teatral: nós, que pensávamos viver em um mundo seguro, apesar das guerras, genocídios, hecatombes e torturas que aconteciam, sim, mas longe de nós, em países distantes e selvagens, nós vivíamos seguros com nosso dinheiro guardado em um banco respeitável ou nas mãos de um honesto corretor da bolsa quando fomos informados de que esse dinheiro não existia, era virtual, feia ficção de alguns economistas que não eram ficção, nem eram seguros, nem respeitáveis. Tudo não passava de mau teatro com triste enredo, onde poucos ganhavam muito e muitos perdiam tudo. Políticos dos países ricos fecharam-se em reuniões secretas e de lá saíram com soluções mágicas. Nós, vítimas de suas decisões, continuamos espectadores sentados na última fila das galerias". Augusto Boal.
De certa forma, roubaram bens materiais... A dignidade –graças a meus embasados principios, não. Sim, o dinheiro está curto, e me tornaram refém de uma vida privada –privadas-, numa empresa que não proteje seus funcionários e ao mesmo tempo lava as mãos, dizendo-se não responsabilizar pelas mochilas de seus trabalhadores, dentro de sua própria sala, no ambiente em que almoçaamos, tiramos o break.
Engraçado, alguma coisa está fora da ordem –diria Caetano-, ainda que alguns esbravegem, insistindo que -o Brasil é pior, hein...
Pior? Não, meus caros. O Brasil e difícil de se viver, de se ganhar dinheiro, mas nada melhor que saber de onde vem o roubo maior –mais uma vez, Caetano-, dos podres poderes. Aqui, quem teria sido? Um japonês, coreano, australiano, brasileiro, boliviano? Em um mundo globalizado pela competição do cada um por sí, na esteira de uma crise financeira muito maior, que vai, aos poucos, revelando a face de uma humanidade doente... Qual a nacionalidade do mau-caratismo e da canalhice?
E aí, qual o grau de limpeza de sua barra nesse quinhão?. Na grande mentira e ilusão do mundinho atual, você conseguiu escapar ou vai continuar refém, apenas porque você é mais um –ser humano que pensa, fala, escreve, faz música, ama, sobrevive, imigra? Afinal, não há escolha. Tudo bem, continue assim. Mas, quando sair, dê a descarga –claro, depois de limpar todas as privadas-, por favor...

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