
Niterói comprova, mais uma vez, vocação para setor
Saulo Andrade
NITERÓI (RJ) Consolidação de um crescimento flagrante. Esse é o espírito da terceira edição da Feira e Conferência Internacional de Tecnologia Naval e Offshore, a Fenashore. Mantendo a tradição de agregar diferentes atores sociais em prol do desenvolvimento de nossa indústria naval, a Feira recebeu as boas vindas do prefeito de Niterói, Jorge Roberto Silveira, que, no Caminho Niemayer, no Centro, deu a largada para o mais importante evento da indústria naval brasileira.
“Trata-se de uma Feira de interesse nacional e internacional. Niterói tem a honra de sediar um evento dessa importância. Agradeço muito a participação de todos os que organizaram a III Fenashore. Nós, da Prefeitura, buscamos fortalecer esse que é um dos segmentos industriais mais importantes para o momento vivido pelo Brasil contemporâneo. Declaro portanto aberta a III Fenashore”.
Indústria promissora
O presidente do Instituto Brasileiro de Petróleo, Gás e Biocombustíveis (IBP), João Carlos de Luca, citou a crise que abateu o setor nos anos 80 como referencial de crescimento da indústria naval brasileira.
“De lá pra cá, demos um salto significativo para 80 mil empregos diretos e indiretos na indústria naval. Desenvolvemos tecnologia, e hoje somos uma economia que movimenta R$ 5 bilhões por ano”.
João Carlos lembrou ainda que, com o Pré-Sal, as oportunidades se ampliarão ainda mais. No entanto, frisou que a mão de obra necessita de qualificação.
“Os desafios são enormes. Queremos dar sustentabilidade ao setor. Aqui, os especialistas discutirão os impactos da crise financeira mundial na indústria como um todo. Ao final, teremos um plano diretor, com um roteiro a ser seguido. Vivemos a oportunidade única para pequenas empresas mostrarem produtos e serviços. Niterói abriga 15 estaleiros, gerando empregos diretos e indiretos”.
Para o secretário de Ciência e Tecnologia de Niterói, José Raymundo Romeo, o início da caminhada foi “difícil”, com dificuldades econômicas na indústria naval brasileira. No entanto, os problemas foram superados, e a cidade e o país acumularam pontos importantes, que culminaram com a realização da III Fenashor.
“Para que não se repitam as crises de outrora, precisamos trabalhar com o conceito de sustentabilidade dos projetos. Discutiremos inovação, para fazer de Niterói ponto de referência, no sentido de incentivar parcerias com as empresas, em um parque tecnológico de primeiro time. Esse é um momento alvissareiro para a cidade – pólo de empresas brasileiras. Seremos a Feira que garantirá e consolidará o setor naval em Niterói, para o estado do Rio de Janeiro e para o Brasil”.
Trabalho integrado
Na opinião do presidente do Sindicato Nacional da Indústria da Construção e Reparação Naval e Offshore (Sinaval), Ariovaldo Rocha, o setor vem crescendo graças à compreensão e maturidade de diferentes setores da sociedade brasileira.
“Todos os segmentos são contemplados na indústria naval. Há um consenso entre empresários, trabalhadores, entidades de classe, estudantes e imprensa de que essa indústria é essencial para o crescimento do país. O trabalho conjunto, com geração de emprego e renda em prol da produção de navios prova que estamos no caminho certo”.
Incentivos necessários
Apesar de o horizonte revelar bons tempos para a economia nacional, Ariovaldo alerta que o setor ainda precisa de incentivo institucional.
“Em Brasília, temos 190 deputados e 18 senadores defendendo a nossa indústria naval. Recentemente foi aprovada a nova Lei, no sentido de investir R$ 5 bilhões em empresas que se encontrem em dificuldades financeiras”.
Educação e desenvolvimento
Além dos incentivos fiscais para o setor naval, outra frente de ação governamental está mudando o país. Visando o apoio à expansão industrial, o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) imprimiu um novo modelo, também para a educação. A Universidade Federal Fluminense (UFF) é uma das entidades públicas que vêm sendo convocadas a debater temas importantes para a sociedade civil. De acordo com o vice-reitor Manuel Andrade, a UFF “responde” a essa demanda, através de seus 40 mil estudantes.
“A Fenashore é um exemplo significativo de que os problemas que se apresentam podem e devem ser solucionados através de conhecimentos variados. Já tínhamos essa experiência, através dos desdobramentos das parcerias do Ministério da Educação. Estamos muito satisfeitos, e sempre prontos a dar as respostas que a sociedade brasileira precisa”.
Frente de batalho institucional
O secretário estadual de Desenvolvimento Econômico, Energia, Indústria e Serviços, Julio Bueno, afirmou que a indústria naval é “vital” para a economia do Rio de Janeiro.
“Historicamente, observamos problemas e falência nesse setor. Agora temos a grande oportunidade de vigorar a musculatura da indústria naval do Rio. Graças à Petrobras, faremos com que outros estaleiros funcionem aqui no estado. Para continuar crescendo, a luta de se garimpar áreas adequadas para que o setor se fortaleça deve ser ampliada”.
Lupi:’ Quero ver emprego!’
O ministro do Trabalho Carlos Lupi reforçou a vocação de Niterói para o setor naval.
“A cidade é referência: já mostrou competência para tocar grandes projetos nesse setor. Quero ver emprego! Com o Pré-Sal, as oportunidades de trabalho subirão dos atuais 50 mil para 400 mil ou até 500 mil empregos diretos e indiretos. Daí ressalto que a presença do Estado é importantíssima. O Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT), administrado pelo BNDES, já gerou quase R$ 200 bilhões, investidos na economia nacional. Atualmente, já estamos batendo a faixa dos um milhão de empregos gerados. E vamos continuar esse mutirão para dar mais oportunidade de trabalho ao povo brasileiro”.
De ‘ET’ a planos concretos de desenvolvimento
“Há seis anos, a indústria naval era considerada um ‘ET’”. Foi assim que o presidente da Transpetro, Sérgio Machado, adjetivou o setor, em tempos de descrédito por boa parte dos investidores. Ele afirmou que a III Fenashore veio num momento em que a indústria naval e o Brasil mostram força econômica.
“Nada é impossível para quem acredita no futuro. Existem dois tipos de cidadão: o crítico e o visionário. Aquele que se limita a apenas criticar o passado, jamais mudará o futuro. Os visionários, sim: mudam. O presidente Lula fez ressurgir a indústria naval brasileira. Até 2020, o transporte de navios deve ser ampliado em 95%, com a produção de seis milhões de barris de petróleo. Durante todo o tempo éramos o país do futuro – que já chegou”.

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