Wednesday, November 11, 2009

Desenvolvimento da economia mundial passará por potências emergentes




Desenvolvimento da economia mundial passará por potências emergentes

Saulo Andrade
NITERÓI (RJ) - A crise financeira mundial – promovida pelo governo Bush, nos Estados Unidos – ainda não está completamente descartada.
A desaceleração do comércio diminuiu a possibilidade de se encontrar dinheiro (liquidez), em todo o planeta.
No Brasil dos últimos anos, o critério conservador do Banco Central, preservando os índices de juros (a taxa SELIC), em patamares relativamente altos, fez com que o governo não cedesse à tentação do afrouxamento fiscal, que poderia causar um aumento dos gastos públicos no combate à inflação.
O país e o mundo vivem, hoje, um novo paradigma do “pós-crise”: a importância de se adquirir ativos reais – patrimônios materiais que uma pessoa ou país possuem.
No nosso caso, o ativo real são os recursos naturais e as recentes descobertas do Pré-Sal, que nos tornam bem menos suscetíveis ao “risco”, na hora de se angariar investimentos.
Nós próximos três anos, o capitalismo irá sobreviver sem o glamour de outros tempos.

BRIC’s como novo referencial


Participante do segundo dia do ciclo de debates da Fenashore, na tarde do último dia 10, em Niterói (RJ), o Diretor Presidente e Fundador da empresa de consultoria econômica Macroplan, Cláudio Porto, destaca que países emergentes - como Brasil, Rússia, Índia e China (os BRICS) - começam a se descolar do “mundo dos riscos” de investimentos. Setores estratégicos - como energia, por exemplo - revelam que a economia nacional pode se dinamizar se governo e empresariado ficarem atentos às ameaças e oportunidades que o momento oportuno apresenta.
“Para essas nações, o resquício da crise que ainda resta deve ser aproveitado para a implementação de incentivos fiscais e readaptações estruturais. No caso brasileiro, a expectativa de uma participação mais atuante do Estado é fundamental para se ampliar o desenvolvimento, especialmente na área produtiva. Além, claro, do incentivo a uma iniciativa privada que amplie as perspectivas ao consumo interno do país”.

Pujança chinesa


Apesar de o Brasil desenvolver criativamente novos negócios, sem riscos, o mercado exportador agressivo da China se apresenta como ameaça externa.
Porto alerta, entretanto, que novos paradigmas estão se abrindo na economia mundial.
“Vivemos em um mudo mais multipolar, em que a questão ambiental e de responsabilidade social assumem papéis relevantes. Através de seus recursos, os BRIC’s apresentarão ao mundo novas oportunidades de inovação econômico-tecnológica”.

Desafios do Brasil

Diversidade de fontes renováveis; matriz energética forte; mercado integrado ou em grande escala são vantagens, mas não garantias para o nosso desenvolvimento.
Os gargalos da violência; da baixa escolaridade; da infra-estrutura de transportes; da carga tributária; do défcit da Previdência; da burocracia e das inovações tímidas, ainda provocam um atraso, em relação aos países desenvolvidos.
“Ou seja, se quisermos realmente vir a ser um país de Primeiro Mundo, o dever de casa deve ser feito, nos próximos nos próximos 20 anos. Caso contrário, seremos um emergente retardatário, que perde oportunidades; viveremos sempre com o velho jargão de ‘país do futuro’, com prosperidade à vista; ou obteremos um crescimento inercial, mas desperdiçando oportunidades”, alertou Cláudio Porto.

Pré-Sal como alavanca da economia brasileira

Na indústria do petróleo, o sucesso depende da infra-estrutura capacitada.
Atualmente, o horizonte do Pré-Sal revela que o Brasil apresenta capacidade de atuar no mercado através do acréscimo da extração de 13 bilhões de barris - mais que dobrando as reservas de hoje, de 33 bilhões, para 46 bilhões.
Isso demanda, entretanto, maior esforço e logística. Nesse cenário, o país pularia da atual 16ª colocação, para a 8ª, como produtor de barris.
O Assessor de Energia & Petróleo do Instituto Brasileiro de Petróleo (E&P – IBP), Getúlio Leite, explica que o Brasil iniciou, a partir de 1954, os processos de exploração terrestre; de águas rasas e profundas.
“Para se gerar emprego e renda, a questão do petróleo brasileiro deve estar agregada com outros fatores de desenvolvimento social, através de uma rodada de negociações que contemple conteúdo local, em sua fase de exploração e produção”.
Nesse cenário, o preço do barril não deve oscilar menos que $ 13, num modelo de concessão que atente para o mercado nacional.
Isso porque, comprando no exterior, a Petrobrás gerará empregos lá fora. Aqui, a empresa incentiva à política de conteúdo local, contemplando uma demanda de 207.810 vagas de empregos a serem preenchidas, nos próximos anos.
“Serão 35 anos de contrato de exploração e produção. A perfuração de poços é muito cara: $ 82,8 bilhões. O Estado deve ser o grande organizador dessa demanda, em que indústrias brasileiras capacitadas devem sempre priorizar o constante desenvolvimento da mão de obra”, disse.

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