Wednesday, November 11, 2009

Engenharia e administração são fatores de crescimento e integração do setor naval

Engenharia e administração são fatores de crescimento e integração do setor naval

Saulo Andrade

NITERÓI (RJ) - A gestão de empreendimentos e a capacitação de mão-de-obra são condições primordiais para que o mercado continue fornecendo tecnologia à Petrobrás, através de contratos perenes. Esse discurso norteou os participantes do terceiro dia do ciclo de debates da Fenashore, na tarde desta terça-feira, dia 11.
Única Universidade especialmente convidada a participar, a UFF incentiva atividades acadêmicas de montagens, cortes e soldagem, na fabricação de estruturas metálicas. De acordo com o vice-diretor da Escola Fluminense de Engenharia da instituição, Prof. Miguel Luiz Ribeiro Ferreira, a Universidade “vem formando um total de 200 engenheiros, preparados para atuar na Petrobrás”.
Para o Conselheiro Vitalício da Associação Brasileira de Engenharia Industrial (ABEMI), Ricardo Pessoa, a intenção da Petrobrás é construir uma “ponte” entre a estatal e o mercado. A empresa recebe parceiras do mundo todo, interessadas em desenvolver o mercado offshore. “Paradoxalmente, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) não está presente nessa mesa de debates. Entre 2008 e 2009, o Banco foi um dos responsáveis por aportar reservas financeiras, no sentido de amortizar um pouco mais a crise financeira mundial no país. Não devemos nada a nenhuma empresa estrangeira. Os preços dos barris de petróleo estão se recuperando, e os grandes campos estão em pico. Há um clima de retomada, com um investimento de R$ 88 bilhões no setor de engenharia da estatal”.
Os aportes financeiros previstos tendem a evoluir ao longo do tempo, através da gestão compartilhada de negócios. A inovação da engenharia - dos anos 1960 pra cá - são parte do projeto de capacitação técnica.
“Nossa principal falha é a ausência de projetos básicos; não temos tecnologia de processo: foram todos feitos por estrangeiros, no Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj)”, lamentou Ricardo.
Relação custo e benefício
Outra frente de atuação é a nova modalidade de investimentos, no sentido de atrair clientes com menor custo e rapidez, dentro das necessidades do mercado. A gestão de empreendimento exige resultado para o contratante e o contratado. Engenharia e suprimentos devem trabalhar integradamente, com vantagens voltadas à desoneração de finanças e ICMS sanados. A finalidade é guardar, controlar e gerir a distribuição dos documentos, através de um banco de dados, em busca do custo mínimo.
“Estamos evoluindo à medida que o tempo passa. Isso pode ser comprovado nas unidades de perfuração e produção: os contratos atuais são mais baratos, num modelo de menor contingência, o que força uma nova forma de contratação no mercado”.
Gargalos superáveis
O setor naval, entretanto, ainda apresenta deficiências a serem superadas. A competitividade externa (principalmente dos países asiáticos); os altos tributos; a variação cambial, com altas taxas de juros; além do necessário incentivo da produtividade com qualidade; qualificação de gestão; mais e melhores parcerias nacionais e internacionais e gestão do risco no gerenciamento são metas a serem superadas.
“Estamos no caminho certo, mas devemos, ainda mais, estimular a instalação de empresas estrangeiras e nacionais; incentivar a concorrência e a capacidade produtiva no setor naval”, enumerou Ricardo.
Alívio para os mercados
Os empresários já podem se preparar para os próximos 10 anos. Além do Pré-Sal, outros projetos paralelos estão sendo desenvolvidos pela Petrobrás, que tem uma carteira de projetos extensa, com navios de grande porte.
“São mais de R$ 170 bilhões em investimentos; com R$ 90 bilhões para a construção naval e offshore”.
Fato é que a demanda é tão grande que o mercado não precisa se assustar. Mudanças são fundamentais, para que todos possam ser contemplados.
“Vive-se no setor grande demanda da construção e variadas formas de contratação. Mas precisamos defender o conteúdo nacional de maneira crescente, através de novas tecnologias”, disse.

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