Friday, November 13, 2009

Setor naval projeta futuro do Brasil




Saulo Andrade


NITERÓI (RJ) - Um conjunto de cenários para o desenvolvimento do Brasil, nos próximos anos. Essa foi a principal premissa da pauta de discussões acerca dos desafios do setor naval, no último dia de debates da Fenashore, na tarde desta quinta-feira, dia 12, em Niterói. Os gargalos da inserção do país no mundo desenvolvido persistem, e o dever de casa precisa ser resolvido em curto prazo. A solução de problemas históricos, como o baixo nível de escolaridade, a ampliação da estrutura logística e o aperfeiçoamento da política tributária - somados ao baixo desempenho dos recursos de desenvolvimento e inovação -, fazem com que uma das principais indústrias do país, a naval, trave o seu potencial de desenvolvimento sustentado.

Cenários vão condicionar crescimento

As ameaças e oportunidades confrontam a economia brasileira. Com as oscilações mundiais, a sustentação dos índices atuais de nossa economia é um desafio premente. Somado a uma conjuntura mundial de certa tranqüilidade - sem as bruscas oscilações do principal mercado financeiro do planeta, os Estados Unidos –, nosso ritmo de crescimento pode nos tornar membros de uma economia de Primeiro Mundo. De acordo com o professor associado e chefe da área de transporte aquaviário do Programa de Engenharia Oceânica da UFRJ (COPPE), Floriano Peixoto, “as oportunidades estão aí”.
“E, caso os nossos problemas internos sejam resolvidos a contento, não seremos apenas um ‘emergente inercial ou retardatário’, ficando atrás de países como a Índia”, disse.

Privilegiar o Brasil

Na construção naval, os concorrentes asiáticos – com destaque para chineses e coreanos -, ainda saem na nossa frente. A indústria de componentes desses países não se limita apenas a componentes centrados. Estão espalhados em diferentes bases geográficas, produzindo em escala maior, internacionalizada; com assistência técnica em qualquer parte do mundo. Floriano destaca que as deficiências do Brasil ainda são impeditivas ao estabelecimento definitivo do setor.
“A base tecnológica e de engenharia não foi mobilizada para atuar mais diretamente na indústria naval. Esse é um desafio para o sistema de ciência e tecnologia do país. A logística apresenta problemas comerciais e de integração, que impedem que os negócios caminhem de maneira mais dinâmica”.

Qualificação

O Pré-sal abre um novo horizonte na indústria naval. Exigem-se políticas de manutenção do crescimento – os pré-requisitos de conteúdo local nas etapas do processo de exploração de petróleo evoluíram. Na intenção de dar respaldo ao combate dos gargalos do emprego e renda no país, o Prominp estabelece políticas de nacionalização de componentes. Através de regulamentação e certificação, o órgão visa estabelecer critérios que contemplem o conteúdo nacional. Trata-se de projetos voltados para políticas industriais, com metas finais e modelos de proteção e incentivo, associados a mecanismos de constante avaliação, buscando a eficiência constante.
Já o Estaleiro Mauá desenvolve ações junto ao Sinaval, identificando setores com potencial de nacionalização, particularmente no caso de navios e plataformas. Para Floriano, a indústria naval é a síntese do potencial de crescimento da economia brasileira.
“O desafio do nosso desenvolvimento é transformar o momento atual em um processo perene, auto-sustentado”, resumiu.


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