
Saulo Andrade
NITERÓI (RJ) - As plataformas P-53 e P-55 já são uma realidade, e provam o poder da engenharia brasileira, contribuindo com a retomada da indústria naval. No entanto, o gerente executivo do PROMEF Petrobrás Transporte, Transpetro, Arnaldo Arcadier, destaca que nem tudo é mercado nacional.
“A Transpetro possui uma carteira de 22 navios. Entretanto, os primeiros projetos da estatal vieram da Coréia. De 15 anos para cá, aprofundou-se o investimento na preparação da mão-de-obra nacional, majoritariamente jovem. Todos os funcionários do estaleiro Atlântico Sul – considerado como de 5ª geração -, em Pernambuco, são locais, da cidade de Ipojuca”, disse. Através de uma agressiva política de inovação, a Transpetro introduziu um programa para 40 navios, através do “Estaleiro Virtual”.
“Precisávamos de estaleiros de construção naval, que é a mola-mestra da indústria. A Projemar atuou em diversas plataformas da Bacia de Campos. Em 2004, um dos principais desafios da engenharia era a ‘garantia’, na indústria naval. Já fui gerente de seis plataformas de petróleo. Hoje, oferecemos demanda para obter estaleiros modernos e competitivos”, comparou.
‘Precisamos criar raízes’
Um dos fatores que irá gerar sustentabilidade para o setor é a indústria de navi-peças para o país.
“Queremos nos estabelecer. Vamos estimular essa competitividade. A curva de aprendizado depende diretamente da demanda, que, se for nacional, estimula a economia de peças daqui”.
Preço, prazo e competitividade são igualmente importantes. E, para o Brasil marcar presença como player no mundo, faz-se necessário um projeto global e visionário.
“Precisamos criar novos estaleiros, com engenharia e sistemas de produção modernos. Aqui cabem novos estaleiros”, planejou Arnaldo.
A Transpetro está estudando novos investimentos, de olho em uma demanda embasada na indústria crescente.
“O diferencial seria, ainda, um estaleiro de reparação naval, que o governo poderia investir. Por não possuir frota, seria um mercado interessante, sem muitos custos”, afirmou.
Fundo de manutenção
Outra questão importante é a criação de reservas para o setor. De acordo com Arnaldo Arcadier, um financiamento que alimente a indústria é “importantíssimo”.
“Precisamos manter a indústria naval em atividade, durante o período de consolidação do setor”.
Política de competição externa
No Brasil, o preço da mão-de-obra - três vezes maior que a coreana – e do aço são altos, quando comparados aos principais mercados do exterior. Na opinião de Arnaldo, faz-se necessário que o país incentive a indústria de base.
“Queremos o mesmo preço dos coreanos. Temos sempre que importar aço, para continuar fabricando por aqui”, queixou-se.
A valorização do transporte aquaviário também é uma preocupação da Transpetro, que se utilizará de rios do país para o desenvolvimento nacional.
“Somente olhando para todos os lados da questão, com navios e mão-de-obra nacionais, desenvolveremos políticas globais, inclusive para futuras exportações”.
Imagem: http://www.conttmaf.org.br/fotos/1267navios_aframax_transpetro_baixa.jpg

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