Monday, December 28, 2009


ILÉ IFÉ – AFROCUBA-RJ

Programação Cultural 2010 – Primeiro Semestre
Projeto “Ilé Ifé”. Afro Cuba no Beco do Rato

Atividades culturais Data de Execução Horário

Cuba. Eu sou a Rumba (Beco) domingo 10 e 24/1 12:00 a
Convidado Especial Grupo Afrocubano Lori

Entre Amigos (Beco)
Filme Cubano
“Buena Vista Social Club” sábado 16/1

Somos Latinos (Beco)
Festa cubana sábado 30/1 18 a
Banda Essência Latina

*Obs. Fevereiro sem eventos pela celebração do carnaval

Entre Amigos (Beco) sábado 6,20/3 16 á 24:00

Cuba. Eu sou a Rumba (Beco) domingo 7 e 21/3 12:00 a
Convidado Especial Grupo Afrocubano Lori

O Mundo Sagrado de Ifá sábado 13/3 12 a 7 pm
Convidado Especial. Babalawo cubano Rafael Zamora.

Somos Latinos (Beco) sábado 27/3 18 a 24
Festa Cubana
Banda Essência Latina

Entre Amigos (Beco) sábado 3,17,24/4 16 á 24:00

Cuba. Eu sou a Rumba (Beco) domingo 11 12:00 a

Cuba. Eu sou a Rumba (Beco) domingo 25/4 12:00 a
Convidado Especial Grupo Afrocubano Lori e Dr. Julio Morazén. Escritor - dramaturgo cubano e poeta afro antilhano Fernando Calderón.

Entre Amigos (Beco) sábado 1,8,15/5 16 á 24:00

Paella para mamai (Beco) domingo 9/5 13:00 a
Convidada especial. Chefe Gisele Jorge (reservas antecipadas)

Cuba. Eu sou a Rumba (Beco) domingo 16,30/5 12:00
Convidado Especial Grupo Afrocubano Lori

Somos Latinos (Beco) sábado 29/5 20 a
Festa cubana pelo aniversario do chefe
Convidada especial.
Banda Essência Latina

Entre Amigos (Beco) sábado 5,19/6 16 á 24:00

Cuba. Eu sou a Rumba (Beco) domingo 13,27/6 12:00 a
Convidado Especial Grupo Afrocubano Lori

Dia dos namorados no Beco sábado 12/6 12 a 21 pm
Festivais de coquetéis e pratos afrodisíacos
do Caribe.

Somos Latinos (Beco) sábado 26/6 20 a
Festa cubana
Banda Essência Latina


Para maiores informações E-mail. fernandoboris@ig.com.br ou marcio@becodorato.com.br

Saturday, December 26, 2009

O complexo



Vejam o que Danilo Gentili, comediante, escreveu sobre a piada de Robin Wilians sobre o RJ e sua escolha como cidade-sede das Olimpíadas de 2016:


"HA HE HI ROBIN WILLIANSUns anos atrás os Simpsons vieram pro Brasil. Homer foi sequestrado. Bart ficou excitado com a loira de shorts enfiado na bunda que apresentava um programa infantil na TV. O menino pobre que a Lisa ajudou não tinha o que comer mas estava muito feliz desfilando no Carnaval.
Esses dias Robin Willians falou o seguinte: - "Claro que o Rio ganhou de Chicago a sede das Olimpíadas. Chicago levou Michele e Oprah e o Rio levou 50 strippers e 500g de cocaína".
Eu ri!Advogados, autoridades e populares se revoltaram nos dois casos. Eles não se revoltam, não se mobilizam, não processam, não abrem inquéritos, não fazem passeatas quando o sequestro, a loira vagabunda apresentadora de programa infantil, a idiotice do carnaval, o tráfico de drogas e a prostituição acontecem na vida real bem debaixo dos nossos narizes. Eles se revoltam só quando usam isso pra fazer piada.
A piada realmente boa sempre ofende alguns e mata de rir outros por um motivo simples: A boa piada sempre fala de uma verdade.Num País onde aprendemos a mentir, enganar, roubar, tirar vantagem desde cedo, a verdade não diverte. Assusta. O cara engraçado pro brasileiro é sempre aquele que fala bordões manjados, dá cambalhotas no chão em altas trapalhadas, conta piadas velhas, imita o Silvio Santos e outras personalidades ou faz um trocadilho bobo mostrando ser um ignorante acerca dos assuntos. Esses bobos passivos nos deliciam porque nào incomodam ninguém! Um cara que faz um gracejo com uma verdade inconveniente pro brasileiro é como o alho pro vampiro. Merece ser execrado.
O brasileiro é uma gorda de 300 quilos que odeia ouvir que é gorda. Ela faz um regime pra parar de ouvir isso? Não! Regime e exercicio dá muito trabalho É mais fácil ir no shopping, comprar roupa de gente magra, vestir e depois acomodar a bunda na cadeira do McDonalds. O problema é que nem todo mundo é obrigado a engolir que aquela fabrica de manteiga é Barbie, só porque está com a roupa da Gisele Bundchen. Então é inevitável que mais hora menos hora alguém da multidão grite: "Volta pro circo!" ou "Minha nossa! É o StayPuff com o maiô da Dayane dos Santos?". Então a gorda chora. Se revolta. Faz manha. Ameaça. Processa. Porque, embora ela tentou se vestir como uma magra, no fundo a piada a fez lembrar que ela é mais gorda que a conta bancária do Bill Gates. A auto-estima dela tem a profundidade de um pires cheio de água.
Ao invés de dizer que Robin Willians tem dor de corno, prefeito do Rio, vai cuidar primeiro da sua dor de mulher de malandro. Sabe? Mulher de malandro sim, aquela que apanha, apanha, apanha mas engole os dentes e o choro porque acha que engana a vizinha dizendo: “Eu tenho o melhor marido do mundo”.
Advogados. Vocês já são alvos de piadas por outros motivos. Já que se incomodam com piadas evitem ser alvos de mais algumas delas não processando Robin Willians. Em vez de processo, envie pra ele uma carta de gratidão. Pense que ele estava num dos melhores programas de TV do mundo e só falou de puta e cocaína. Ele poderia ter falado por exemplo, que o turista que vier pra Olimpíadas se não for roubado pelo taxista, o será no calçadão. Poderia também ter dito que o governo e a polícia brasileira lucram com aquela cocaína do morro carioca que ele usou na piada. E se ele resolvesse falar algo como: “As crianças do Brasil não assistirão as Olimpíadas porque estarão ocupadas demais se prostituindo”? Ah... E se ele resolvesse lançar mais uma piada do tipo: “Brasileiro é tão estúpido que se preocupa com o que um comediante diz, mas não se preocupa no que o político em quem ele vota faz”?
Enfim... são muitas piadas que poderiam ter sido feitas. Quem é imbecil e se incomoda com piada, não seja injusto e agradeça ao Robin Willians porque ele só fez aquela.
E depois brasileiro insiste em fazer piada dizendo que o Português é que é burro."
Precisa dizer mais alguma coisa?

Tuesday, December 8, 2009

A grande ilusão


Uma mão bate uma conga.

Um mosaico de cores se desloca do céu para o centro do Universo (a Lapa), acompanhado do som da diversidade rítmica de diferentes timbres de tambores (som de macumba e batucada de samba ao mesmo tempo).

Uma espécie de “túnel do tempo”, em que aparecem fotos de artistas como Clara Nunes, Cartola, Candeia, Tom, Elis e Vinícius fazem “chover” diferentes instrumentos musicais, em pleno verão de 40 graus do Carnaval carioca.

É fevereiro. Até então, a pasmaceira carnavalesca - refletida na falta de criatividade dos sambas enredo e na apatia do funk carioca - tomava conta da cidade.

Seriam, enfim, os deuses da música, fazendo uma rebelião no céu, em protesto contra a falta de espaço?

Afinal, TODOS querem um lugar nessa Babilônia de desordem urbano-turística-musical-cultural, que é a alegria do Carnaval do Rio de Janeiro -, preparando a chegada de um Deus afro-brasileiro, que abençoa a magia da batucada.

Mas os ventos – assustadores - uivam forte, assustando os banhistas da praia de Ipanema.

Era Ele: o Deus ‘Camuba’. Negro, com seus mais de 500 metros de altura, caminhando por sobre os mares do Leblon, tocando o seu gigante surdo (BUM! BUM! BUM!), fazendo tremer toda a terra...

Estarrecidos, os banhistas e o povo carioca não sabiam como reagir...

Do outro lado, numa imensa Pick up (como numa cena jaspiniônica) surgia outro Deus afro-brasileiro-norte-americano, o ‘Batela’. Ao som do funk (TUM! CHA! CHA! TUM! TUM! CHA! TUM! TUM!), ele vinha como uma mosca, mas num poderoso som de batidão...

A grande batalha - ou confraternização - percussiva estava apenas começando...

O conflito entre a música eletrônica ‘batidão’ do Deus Batela e a raiz do samba africano de Camuba estarreceu o povo carioca. Atônito, não sabia para onde correr, nem muito menos em qual dos dois se apoiar...

E, quando parecia que todos iriam se afogar na areia ou no mar - com medo do poder do som percussivo/eletrônico desses dois deuses - o inesperado acontece: as duas batucadas se combinam, fazendo todo o povo, unido, tentar vencer o poder dos deuses, através de mais música, mais batucada...

Tratava-se de uma guerra santa, sem precedentes na música brasileira, com 50% da população batucando o mais tradicional samba e outros 50% batucando a "nova onda", o funk, em tamborins, zabumbas, violas, cavaquinhos, cuícas e demais tambores caídos do céu...

Alegria! A festa se ampliou de tal maneira, que os dois deuses literalmente morreram de cansaço, por não agüentar o pique do povo samba-funk - que realmente comandara uma festa anárquica, estarrecedora, num carnaval atípico na cidade...

Só que tudo não passara de um sonho; uma ressaca de um folião que acabara de acordar, numa quarta-feira de cinzas, em meio a mendigos da praia de Copacabana...

A cara ensopada de areia, o corpo suado em meio a fantasias decadentes e esqueletos de carros alegóricos... Depressão. Cerveja quente num copo de geléia Imbasa... Dor de cabeça e sol forte, impedindo-o de enxergar o horizonte, e voltar pra Niterói (cena de um cara dormindo na barca...).

Roteiro: Saulo Andrade