Thursday, November 26, 2009
Tuesday, November 17, 2009
"No llores por mí, argentina"
Friday, November 13, 2009
Transpetro busca inovação para setor naval

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Setor naval projeta futuro do Brasil

Wednesday, November 11, 2009
Caetano e os analfabetos

Caetano e os analfabetos
Miguel do Rosário
A história ensina a não confiar nos artistas. A quantidade de artistas que aderiram às teses de Mussolini, alguns mesmos tornando-se verdadeiros heróis do Il Duce, como o poeta D'Annunzio, já mostra que um artista entende tanto de política quanto de matemática. Por acaso, há artistas que entendem de política, como há artistas que talvez entendam de matemática; mas trata-se, por assim dizer, de coincidências.
Nosso alegre boêmio, Augusto Frederico Schmidt, por exemplo, apoiou o golpe de Estado de 1964, ou pelo menos foi isso que os jornais deram a entender, quando publicaram manchete com uma frase sua favorável ao regime. Céline teve que esperar alguns anos antes de poder retornar a França, pois havia sido condenado à morte por causa de sua posição dúbia - em alguns momentos até favorável - quanto ao nazismo; e o incomparável Knut Hansum, que escrevera o romance mais doloroso do século XX, A Fome (que traz a descrição mais humana, mais viva e mais autêntica da fome, segundo Josué de Castro), filiou-se entusiasticamente ao partido nazista, recebendo, inclusive, condecorações!
Portanto, não estranhem quando um grande artista como Caetano Veloso dá voz a preconceitos tão mesquinhos, como fez na entrevista ao Estadão, na qual declarou que "votava em Marina porque ela não era analfabeta como Lula".
Dias depois, o "cafona", o "grosseiro", era, pela enésima vez, recebido pela rainha da Inglaterra, que tinha um sorriso sincero e admirativo no rosto. O analfabeto estava lá para receber um prêmio internacional da Chatham House... O Primeiro Mundo nem sempre foi o mar de rosas pacífico, limpo e desenvolvido que gostamos de imaginar. Inglaterra, França e EUA já viveram fome, guerra, miséria, revoluções, e aprenderam que somente superaram suas dificuldades em virtude da sabedoria, criatividade e força dos homens simples, dos homens do povo.
Afinal, o que é ser "analfabeto" para Caetano? Sua crítica, aliás, está na boca de muita gente. Há uma consciência de classe muito específica aqui. Sim, porque, a questão não é saber ler ou não, pois Lula sabe ler muito bem. A questão é possuir uma determinada cultura, mas qual é, exatamente, essa cultura? São os clássicos? Lula deveria ter lido a Ilíada, de Homero? Aí entramos numa situação curiosa. É que Homero era, ele sim, um analfabeto, embora no caso dele não seria possível outra condição, porque, segundo a maioria dos pesquisadores, o alfabeto grego ainda não fora inventado. Andei lendo bastante sobre isso, e descobri que uma das teorias mais respeitadas entre os estudiosos é que a pessoa que inventou o alfabeto grego (que é uma cópia do fenício, adaptada ao vocabulário grego) o fez justamente para anotar os versos de Homero. A seguinte cena deve ser imaginada: Homero recitando os versos para que esse astuto e pioneiro escrivão anote-os, e daí nasce a literatura ocidental!
Não precisamos ir tão longe. Antropólogos e historiadores vem estudando com muito afinco, desde os anos 60, o poder das culturas populares, baseadas sobretudo na tradição oral. Pode-se transmitir conhecimentos oralmente? É claro que sim, pois de outra maneira qual o sentido de pagarmos 120 mil dólares para ouvir um professor "falar" sobre Platão, numa sala em Harvard? Não poderíamos, simplesmente, ler Platão no conforto de nossa casa - e sem gastar os 120 mil dólares?
As palavras ouvidas e faladas valem menos que as palavras escritas? Bem, talvez não seja isso o que pretendia dizer Caetano, porque suas letras são "cantadas" e não "lidas", e não é preciso ter lido Levi-Strauss para saber apreciá-las corretamente. Caetano expressou uma noção sobre "etiqueta". Uma visão (embora inconscientemnete, e mesmo assim indesculpável) um tanto fascista sobre uma determinada forma de se comportar, de falar, de se expressar, e que inclui o conhecimento, mesmo que superficial, mesmo que seja apenas um verniz, sobre um cânone.
O mundo produziu milhões de livros importantes, e hoje em dia é virtualmente impossível estabelecer precisamente quais devem ser lidos ou não. Caetano não leu nem 1% desses livros, assim como Lula. Eu também não li. Por outro lado, poderia-se acusar Lula de não ter lido Dom Casmurro. De fato, é um livro interessante. Mas aí precisamos fazer um interrogatório detalhado ao presidente, porque corremos o risco de quebramos a cara se ele responder: "eu li Dom Casmurro. Não gostei muito". Aliás, é fácil entender porque um operário de chão de fábrica, sem grande interesse pela literatura universal, não demonstre entusiasmo pela história de um burguesinho ciumento...
Milhares de brasileiros leram Dom Casmurro, mas permanecem na condição de "analfabetos", pois continuam cafonas e grosseiros. Depois ter cantado em dupla, por tantas vezes, com Júnior (o irmãozinho genial da Sandy), supreendi-me com esse súbito repúdio de Caetano à estética cafona... Ah tá, Júnior com certeza não é analfabeto... Claudia Leite também não é analfabeta... É de se perguntar, além disso, se Caetano chamaria Cartola, Pixinguinha e Nelson Cavaquinho de "analfabetos", por não possuirem instrução formal e se comportarem de forma um tanto "cafona". Pixinguinha recebia seus convidados segurando um copo cheio de cachaça e Cartola, sempre um orgulhoso e inveterado cachaceiro, trabalhou como flanelinha no centro do Rio...
Porque ainda há milhões de analfabetos de verdade, que não sabem assinar o próprio nome. Há casos tristes, trágicos, de pessoas que não conseguem sequer se expressar. Todos conhecemos casos assim, em geral associados às condições econômicas miseráveis. Há outros, que, apesar de não saberem ler, desenvolveram admirável capacidade oratória. Há pessoas que lêem muito, mas não conseguem falar. Meu pai era assim, coitado. Um homem culto, mas que não conseguia encaixar uma frase em outra. Era uma espécie de analfabeto da fala, e isso o fazia sofrer muito, porque dificultava a socialização e ele era um homem que amava muito seus amigos e via-se que ele se esforçava, às vezes, para superar sua deficiência. Bebia muito em função disso, para tentar se soltar. Eu herdei um pouco dessa dificuldade e também bebia muito tentando "destravar" a língua. No colégio, sofria horrivelmente com a insuperável dificuldade em abordar as meninas, em comunicar minha admiração por elas. Mas eu acabei superando essas barreiras, e tornei-me um tagarela quase insuportável.
Enfim, a humanidade oferece uma heterogeneidade muito grande de saberes linguísticos. Neste quesito, acho que Caetano, se tivesse a oportunidade de reelaborar suas colocações, aceitaria que Lula é um mestre, e não apenas no Brasil. A sensibilidade linguística de Lula é reconhecida internacionalmente. Seria desonesto negar os fatos, e a popularidade de Lula prova isso. A própria oposição política, não querendo dar o braço a torcer sobre sua qualidade como administrador, atribui a popularidade de Lula exclusivamente à sua técnica verbal.
Então de que analfabetismo fala Caetano? Voltamos ao cânone. Caetano tem um cânone na cabeça. São os livros que ele mesmo leu, e que ele considera, preconceituosamente, que todos deveriam ler, se querem ser inteligentes. Há também a questão do comportamento. Em outras entrevistas, Caetano admitiu, muito sapecamente, que adora o jeito 'classe-média' de ser, como fazer compras no supermercado Zona Sul, etc... Daí voltamos àquele repúdio sanguíneo ao sindicalista barbudo, grosso, cachaceiro, que não sabe segurar um garfo e faca, com quem não podemos conversar sobre vinhos franceses...
Eu conheço bem esse preconceito tolinho, esses olhos que brilham quando falamos em Marcel Proust, essa admiração canina por um diploma. O irônico de tudo é que a literatura autêntica nasce da vida, e os escritores vão as ruas estudar a personalidade de indivíduos como Lula para se inspirarem. Afinal, há os que escrevem, há os que lêem, e há os que inspiram livros. São os líderes políticos, os guerreiros, revolucionários, chefes sindicais, bandoleiros famosos.
Outro ponto que me veio à cabeça, quando li essa entrevista do Caetano, foi sobre Sancho Panza, o astuto escudeiro de Don Quixote. Sancho é uma figura fundamental no clássico de Cervantes, e até hoje talvez não tenha merecido a devida atenção. Lembrei de Sancho porque Lula é uma espécie de Sancho Panza da política. É um homem do povo que simula uma simplicidade muito maior do que a que realmente possui. Sancho Panza é muito mais prudente, esperto e lúcido do que seu patrão. Don Quixote é um bem-intencionado, um valente, um culto, mas é um indivíduo completamente destrambelhado, um louco. Sancho Panza é sua maior ligação com a realidade. E Sancho é leal e corajoso.
Outra figura muito parecida à Sancho Panza é Sam Weller, o empregado do Sr.Pickwick, no admirável romance de Charles Dickens. O escritor publicava os capítulos num folhetim. Quando introduziu Sam, houve um êxito instantâneo. Sua inserção no quinto capítulo da narrativa alavancou as vendas de forma estrondosa: do quarto número foram tirados 400 exemplares, após o surgimento da figura, a tiragem saltou para 400 mil antes mesmo do vigésimo capítulo.
Hoje poucos leram esse romance, o primeiro do escritor inglês. É um romance absurdamente hilário. As trapalhadas do Sr.Pickwick são de fazer qualquer um morrer de rir. Tão diferente das xaropadas melancólicas que Dickens irá escrever depois! Pois bem, o Sr.Pickwick resolve contratar um empregado para o ajudar em suas viagens pela Inglaterra e encontra Sam. O rapaz se revelará o verdadeiro "cérebro" do romance. É ele que inventa os planos mirabolantes e sempre bem sucedidos para tirar seu chefe das mais incríveis enrascadas. Além disso, possui um humor incomparável, e não economiza-o em momento algum. A genialidade de Sam retrata a admiração dos britânicos pela sabedoria popular, e explica a simpatia franca e humana com que a rainha Elisabeth recebe Lula toda a vez que o presidente põe os pés na ilha. Em toda Europa, a cultura (entendendo aí o comportamento, os modos, a maneira de falar) dos trabalhadores é respeitada com quase reverência. Na França, milhares de aristocratas tiveram suas cabeças cortadas por muito menos que entrevistas como essa de Caetano. Nos Estados Unidos, a criatividade do homem do povo é honorificada constantamente em filmes e livros.
Pois a cultura "livresca" que Caetano e grande parte da classe média brasileira prezam como condição mínima para uma pessoa pertencer à boa sociedade, para ser um não-analfabeto, implica também em matar a espontaneidade natural, aquela graça original, a força, a virilidade. Tantos historiadores já escreveram sobre isso, sobre a auto-censura a que o homem civilizado é sujeito, causa de tantas neuras e debilidades psíquicas! Afinal, qual o objetivo do ser humano? É ser um indivíduo com algumas leituras, ou mesmo um gênio da poesia, como D'Annunzio, mas que defende o fascismo? É ser um homem culto, porém sem graça, sem coragem, e broxa?
É muito difícil ser um homem inteiro, e conciliar o desenvolvimento pleno de todas as nossas faculdades físicas e psicológicas com uma participação criativa na sociedade. Muitos dizem que essas coisas estão ligadas, e que a debilidade psicólogica tem origem numa relação doentia e medrosa com o ambiente social. Eu acredito nisso. Gosto de participar da vida política do mundo porque sinto-me mais forte quando o faço. Sinto saúde. É uma relação de parceria. Eu ajudo (ou tento ajudar) o mundo e o mundo me ajuda.
Voltando ao analfabetismo de Lula, as pessoas como Caetano deveriam entender que o conhecimento deriva-se não apenas dos livros, mas da observação dos homens, superação das dificuldades, conversas noturnas, amor, casamento, sexo. Muitas pessoas querem encontrar nos livros o que talvez encontrassem numa boa conversa de botequim, ou simplesmente num passeio solitário pelas ruas. Muitas firulas psicológicas podem ser resolvidas com um saudável mergulho na vida, e a política, muitas vezes, proporciona essa aproximação com as forças primevas da sociedade. Esse conhecimento é genuíno. É tão válido quanto qualquer máxima filosófica. O próprio Kant entendia isso quando abre a sua obra-prima, a Crítica da Razão Pura, dizendo que todo e qualquer conhecimento nasce da experiência. E o que importa ao conhecimento são os frutos. De que adianta ler muitos livros e ser um idiota preconceituoso, ou um medíocre inútil e corroído pela inveja? Se Lula conseguiu se tornar um estadista invejável, admirado internacionalmente, dono de uma popularidade inédita no Brasil e no mundo, é porque ele colheu conhecimentos em algum lugar, não importa onde, processou-os, e converteu-os em vida, em talento, em sucesso, em redenção econômica e social para milhões de brasileiros. Se mesmo assim ele for considerado um analfabeto, então viva os analfabetos!
# Escrito por Miguel do Rosário # Sexta-feira, Novembro 06, 2009
Imagem: http://www.noticiasdabahia.com.br/fotos/19-02-2008_11_43_15_.jpg
E a Globo continua defendendo o golpe em Honduras

Merval Pereira é o principal colunista político do jornal O Globo, de maneira que, quando ele dá uma opinião peremptória e repetida sobre um tema, tenho todos os motivos para crer que se trata da opinião do próprio jornal, o jornal de maior circulação do Rio de Janeiro, o único que sobreviveu ao cerco econômico e político do regime militar. Ontem, sábado, 7 de novembro, Merval Pereira afirmou, categoricamente, e pela enésima vez, que o golpe de Estado ocorrido em Honduras não foi um golpe. Os argumentos são os mesmos de sempre. Mentiras. É tudo muito incoerente. O artigo não consegue se sustentar. É só soprar que ele cai de podre, pois fala em golpismo dos líderes políticos de Honduras ao mesmo tempo que nega o golpe. Afirma que Zelaya foi derrubado porque "tentou mudanças que poderiam abrir caminho para reeleição". Nunca li nada tão ridículo em minha vida. A democracia agora vale tão pouco que podemos derrubar presidentes eleitos por sufrágio popular por conta de meras (e tendenciosas) suspeitas da oposição sobre "mudanças que possam abrir caminho" para isto e aquilo? Merval enche a boca para falar em "cláusula pétrea", outra expressão que os golpistas do Brasil estão usando e abusando para impressionar os incautos. São leguleios, ou seja, não interpretam o verdadeiro espírito da lei. Eles manipulam interpretações da lei para justificar a mais grave violência que se pode fazer à uma democracia. O presidente da república é o cidadão mais graduado de um país. É a função suprema. O que tem havido, abaixo do Rio Grande, é um constante e sistemático ataque simbólico e midiático à instituição que é, entre todas, a mais genuinamente democrática, porque o presidente da república é o único servidor público eleito com sufrágio nacional e universal. Governadores e parlamentares são eleitos com votos de província. Juízes não passam pelo crivo popular, não são eleitos, nem expostos à rotatividade. O presidente da república é o único eleito por todos os cidadãos de um país e, por isso, é o sucessor simbólico e legal dos reis, dos imperadores, dos magistrados, dos cônsules. Eleito pelo povo, só pode ser removido pelo mesmo ou por um processo estritamente legal, com direito à plena defesa. Merval Pereira omite o principal: ao não ter direito à defesa, ao não ter sequer o direito de reagir verbalmente, Zelaya foi vítima de um golpe vil, covarde e desumano. Não apenas seus direitos políticos foram desrespeitados. Não apenas os direitos políticos de todos os que votaram em Zelaya foram desrespeitados. Os seus direitos humanos básicos foram violentados. Ele foi expulso do país! De seu próprio país! Não se faz isso nem com estupradores, nem com terroristas! Quanto mais com um presidente da república! E Merval Pereira e o Globo vem à público defender isso? Vem defender o golpe? Não me espanta que Merval tenha recebido o prêmio Maria Moors Cabot, o mesmo concedido a Roberto Marinho um ano após o golpe militar de 64, golpe o qual o Globo ajudou a articular e que sempre defendeu entusiasticamente.É muito grave isso. E a oposição brasileira, não tem nada a falar sobre o golpe? José Serra, como candidato à presidente da república, tinha obrigação moral de dar a sua opinião sobre o golpe de Estado em Honduras. Prefere se manter em cima do muro, para não correr risco de perder votos, demonstrando que é um covarde, um cidadão sem princípios políticos, e que participa da vida pública apenas por vaidade e capricho.E por falar em falta de princípios, hoje tive uma consciência nítida sobre o risco que o Brasil corre se os tucanos voltarem ao poder. Em entrevista à Folha, o senhor Armínio Fraga disse que a solução para todos os problemas do Brasil seria cortar gastos públicos. Ou seja, esses neoliberais tupis nem sequer fizeram uma autocrítica, nem sequer pensaram em reelaborar um discurso. Armínio Fraga, um dos cérebros econômicos do tucanato, em plena crise econômica mundial, defende algo como demissão em massa de funcionários públicos, redução de gastos em saúde, em educação, em meio ambiente, em assistência social... Sim, porque é nisso que o governo federal tem aumentado seus gastos. Armínio Fraga ainda tem a cara de pau de falar na necessidade de baixar os juros, logo ele que, assim que assumiu a presidência do Banco Central, elevou os juros básicos do país para 45%! Lembro muito bem disso, senhor Armínio, pois eu era micro-empresário e tinha conta bancária no Itaú, o qual havia me concedido um maravilhoso "cheque especial", presente de grego que se converteu, imediatamente, numa bola de neve terrível e que atrapalhou um bocado nossos negócios.Eu entendo que o Estado deva ser econômico e cuidar para não se tornar um peso para a sociedade. Mas Armínio Fraga fala na redução de gastos públicos como uma política de Estado, como uma estratégia política, e não como forma de reduzir o custo de vida do cidadão comum. Se houvesse essa preocupação, de reduzir o custo de vida da classe média e do pequeno empresário, ele deveria propor isso, claramente: um pacote de desoneração tributária para a classe média e para o pequeno e médio empresário. Seria inteligente, honesto e justo. Mas não. Ele prega uma redução genérica do gasto público, o que, naturalmente, só prejudicaria o lado mais fraco da população, aí incluindo a classe média a qual, embora não goste de admitir isso, sempre foi uma das principais beneficiadas por um Estado forte. Mas Armínio vai ainda mais longe: aconselha o governo a reduzir o crédito público. O gênio - provavelmente tão "brilhante" como Daniel Dantas - vai na contramão de qualquer bom senso e sugere, descaradamente, que o governo não continue trabalhando pela inclusão social. *O gasto público no Brasil não é alto. O Brasil não tem excesso de funcionários públicos e nem esses ganham salários excessivos. Inúmeros estudos, do Ministério do Trabalho, e do cientista político Wanderley Guilherme dos Santos demonstraram isso cabalmente. A carga tributária também não é exagerada - apenas, talvez, injusta, onerando excessivamente alguns segmentos sociais apenas "remediados" e, sobretudo, pequenos e médios empresários. Vários estudos comparativos com outros países mostram isso. O que a oposição deveria exigir, se tivesse comprometimento com o desenvolvimento econômico, era a redução dos impostos sobre o salário, pois esse é um problema que prejudica severamente a geração de empregos no país. *Voltando à Honduras, bem que eu desconfiava que o tal Micheletti não fosse cumprir o acordo. Por isso é tão absurda a comparação entre Zelaya e Micheletti, colocando um golpista desonesto, desleal, mentiroso, violento, covarde, ao mesmo nível que Zelaya, um presidente legitimamente eleito pelo povo hondurenho, e que, até o momento, tem se mostrado uma figura honrada e corajosa.Os jornais brasileiros se apressaram em lamber as botas do governo americano, tentando, com isso, deslegitimarem qualquer contribuição brasileira para a solução do imbróglio. Se ferraram mais uma vez. Os EUA, ao tentarem desatar o nó de maneira unilateral, envolveram-se no que arrisca ser um tenebroso fiasco diplomático e político, que pode inclusive degenerar numa guerra civil. Em vez de usar as organizações internacionais, como OEA e ONU, como o Brasil sempre defendeu, os EUA tentaram resolver o conflito na base da chantagem imperial, na base do "falar grosso". Deu no que deu. O ponto mais revoltante é que a mídia brasileira sequer se solidariza com o sofrimento inflingido aos funcionários brasileiros e cidadãos hondurenhos que estão na Embaixada em Tegucigalpa. Ao contrário, parece incitar ódio contra os brasileiros. Serra, aliás, fez sim uma declaração sobre Honduras. Disse que era uma "trapalhada" da diplomacia, mostrando-se desinformado e não solidário com seu próprio país. O que gostaríamos de ouvir, no entanto, é a opinião de Serra sobre o golpe de Estado. Ao defender o golpe, setores midiáticos ligados ao tucanato revelam o apreço torto que tem pela democracia, e o próprio tucanato, ao não tomar posição num tema geopolítico fundamental para as Américas, revela-se um partido desvirilizado, retrógrado, despreparado, com o germe golpista circulando-lhe pelo sangue de barata. O PSDB tornou-se refém de intelectuais de extrema-direita, como Reinaldo Azevedo e Merval Pereira, e afundou-se num lamaçal ideológico onde se vê apenas insegurança, covardia, confusão e conservadorismo. As repetidas declarações contra Chávez, repetidas pelos barões do tucanato, refletem essa irresponsabilidade quase adolescente, de quem precisa se auto-afirmar, e mostram políticos despreparados para governar o Brasil, pois compraram muito levianamente o discurso conservador da mídia, sem atentar para o fato de Chávez ser um presidente da república legitimamente eleito, num país com parlamento, judiciário, ministério público, ou seja, num país perfeitamente democrático, e, o que é importante (porque significa dinheiro, empregos, vida), um país que mantém um gigantesco volume de comércio com o Brasil. O tucanato, ligado apenas aos lordes rentistas, desprezam inclusive o valor do dinheiro oriundo do setor produtivo e exportador, esse dinheiro que se converte em empregos, em qualidade de vida, em alegria, e do qual o Brasil precisa desesperadamente para se desenvolver. É uma diplomacia arrogante e estúpida, porque não vêem como os EUA mantém relações amistosas com a Arábia Saudita, Paquistão e China, mesmo que esses países não compartilhem dos mesmos valores democráticos defendidos pela Casa Branca. A demonização da Venezuela é infantil e contraproducente, e o fato da oposição comprar essas idéias mostra o quanto ela é incompetente. É bom não esquecer que Chávez foi vítima de um golpe de Estado em 2002, e que os meios de comunicação venezuelanos, que hoje se posam de vítimas, defenderam o golpe. Aliás, a mídia brasileira também comprou muito facilmente aquele golpe. Por isso é tão grave que esse mesmo comportamento, esses mesmos valores golpistas, voltem a se manifestar na defesa do regime golpista de Honduras. Cada vez mais a imprensa brasileira faz jus ao epíteto de PIG (Partido da Imprensa Golpista) que o grande público da internet vem lhe dando.*Quanto ao episódio da moça da UNIBAN, creio que se trata de uma comprovação da tese de Einstein de que existem apenas duas coisas infinitas: o Universo e a estupidez humana. Os estudantes de Relações Públicas terão um case a mais para estudar nas faculdades: sobre como a covardia se converte em prejuízo. Ao menos serviu para alguma coisa: para mostrar o quanto um diploma universitário pode ser inútil. Pior: o quanto pode ser até uma vergonha. Sim, porque se numa briguinha de vizinhos alguém bater no peito e falar que tem faculdade, e outro disser que essa faculdade é a Uniban, o alguém será motivo de chacota.
Abertura do III Fenashore reúne autoridades comprometidas com o desenvolvimento da indústria naval brasileira

Engenharia e administração são fatores de crescimento e integração do setor naval
Desenvolvimento da economia mundial passará por potências emergentes

Saulo Andrade
NITERÓI (RJ) - A crise financeira mundial – promovida pelo governo Bush, nos Estados Unidos – ainda não está completamente descartada.
A desaceleração do comércio diminuiu a possibilidade de se encontrar dinheiro (liquidez), em todo o planeta.
No Brasil dos últimos anos, o critério conservador do Banco Central, preservando os índices de juros (a taxa SELIC), em patamares relativamente altos, fez com que o governo não cedesse à tentação do afrouxamento fiscal, que poderia causar um aumento dos gastos públicos no combate à inflação.
O país e o mundo vivem, hoje, um novo paradigma do “pós-crise”: a importância de se adquirir ativos reais – patrimônios materiais que uma pessoa ou país possuem.
No nosso caso, o ativo real são os recursos naturais e as recentes descobertas do Pré-Sal, que nos tornam bem menos suscetíveis ao “risco”, na hora de se angariar investimentos.
Nós próximos três anos, o capitalismo irá sobreviver sem o glamour de outros tempos.
BRIC’s como novo referencial
Participante do segundo dia do ciclo de debates da Fenashore, na tarde do último dia 10, em Niterói (RJ), o Diretor Presidente e Fundador da empresa de consultoria econômica Macroplan, Cláudio Porto, destaca que países emergentes - como Brasil, Rússia, Índia e China (os BRICS) - começam a se descolar do “mundo dos riscos” de investimentos. Setores estratégicos - como energia, por exemplo - revelam que a economia nacional pode se dinamizar se governo e empresariado ficarem atentos às ameaças e oportunidades que o momento oportuno apresenta.
“Para essas nações, o resquício da crise que ainda resta deve ser aproveitado para a implementação de incentivos fiscais e readaptações estruturais. No caso brasileiro, a expectativa de uma participação mais atuante do Estado é fundamental para se ampliar o desenvolvimento, especialmente na área produtiva. Além, claro, do incentivo a uma iniciativa privada que amplie as perspectivas ao consumo interno do país”.
Pujança chinesa
Apesar de o Brasil desenvolver criativamente novos negócios, sem riscos, o mercado exportador agressivo da China se apresenta como ameaça externa.
Porto alerta, entretanto, que novos paradigmas estão se abrindo na economia mundial.
“Vivemos em um mudo mais multipolar, em que a questão ambiental e de responsabilidade social assumem papéis relevantes. Através de seus recursos, os BRIC’s apresentarão ao mundo novas oportunidades de inovação econômico-tecnológica”.
Desafios do Brasil
Diversidade de fontes renováveis; matriz energética forte; mercado integrado ou em grande escala são vantagens, mas não garantias para o nosso desenvolvimento.
Os gargalos da violência; da baixa escolaridade; da infra-estrutura de transportes; da carga tributária; do défcit da Previdência; da burocracia e das inovações tímidas, ainda provocam um atraso, em relação aos países desenvolvidos.
“Ou seja, se quisermos realmente vir a ser um país de Primeiro Mundo, o dever de casa deve ser feito, nos próximos nos próximos 20 anos. Caso contrário, seremos um emergente retardatário, que perde oportunidades; viveremos sempre com o velho jargão de ‘país do futuro’, com prosperidade à vista; ou obteremos um crescimento inercial, mas desperdiçando oportunidades”, alertou Cláudio Porto.
Pré-Sal como alavanca da economia brasileira
Na indústria do petróleo, o sucesso depende da infra-estrutura capacitada.
Atualmente, o horizonte do Pré-Sal revela que o Brasil apresenta capacidade de atuar no mercado através do acréscimo da extração de 13 bilhões de barris - mais que dobrando as reservas de hoje, de 33 bilhões, para 46 bilhões.
Isso demanda, entretanto, maior esforço e logística. Nesse cenário, o país pularia da atual 16ª colocação, para a 8ª, como produtor de barris.
O Assessor de Energia & Petróleo do Instituto Brasileiro de Petróleo (E&P – IBP), Getúlio Leite, explica que o Brasil iniciou, a partir de 1954, os processos de exploração terrestre; de águas rasas e profundas.
“Para se gerar emprego e renda, a questão do petróleo brasileiro deve estar agregada com outros fatores de desenvolvimento social, através de uma rodada de negociações que contemple conteúdo local, em sua fase de exploração e produção”.
Nesse cenário, o preço do barril não deve oscilar menos que $ 13, num modelo de concessão que atente para o mercado nacional.
Isso porque, comprando no exterior, a Petrobrás gerará empregos lá fora. Aqui, a empresa incentiva à política de conteúdo local, contemplando uma demanda de 207.810 vagas de empregos a serem preenchidas, nos próximos anos.
“Serão 35 anos de contrato de exploração e produção. A perfuração de poços é muito cara: $ 82,8 bilhões. O Estado deve ser o grande organizador dessa demanda, em que indústrias brasileiras capacitadas devem sempre priorizar o constante desenvolvimento da mão de obra”, disse.



